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Por que progressistas não entendem Israel

Apoiadores do Palestine Action durante protesto em Londres em 2025: na gramática progressista, importa apenas que os palestinos têm o jeitão estético de serem os oprimidos, e por isso eles terão sempre razão. (Foto: TOLGA AKMEN/EFE/EPA)

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Se a novilho decidiu preservar a sua vida e o leão não transcende a sua fome, jamais haverá solução consensual. Existe aí uma incompatibilidade moral fundamental, um diferendo ético intransponível, uma incomensurabilidade de paradigmas. Apenas quando há alguma referência moral comum é possível, ao menos em teoria, encontrar-se uma solução de conflito que respeite os interesses das partes envolvidas.

O mesmo ocorre em debates e divergências de opinião em geral. Muitas vezes, a divergência existe porque as partes têm compromisso com princípios morais completamente diferentes.

Se tem alguma coisa que já fiz na minha vida, foi debater o assunto Israel-Palestina. E considerando-se que a maior parte do ecossistema intelectual do Brasil é dominado por esquerdistas, na maior parte dos casos eu debati com gente de esquerda, pessoas que foram adestradas a odiar Israel e a tratá-lo como pária.

E uma das principais lições que obtive nesses debates é que há, em geral, uma enorme fenda moral entre os apoiadores de Israel e os antissionistas/antissemitas, que é a mesma fenda que separa direita e esquerda, e que impede os progressistas de entenderem Israel.

Para o progressista, não importa quem está errado, quem iniciou o conflito, quem tem más intenções em relação ao outro; na gramática progressista, importa apenas que os palestinos têm o jeitão estético de serem os oprimidos, e por isso eles terão sempre razão

Quando digo “entender” quero dizer apenas isso mesmo, apenas entender; não estou nem falando de apoiar, ou de ter uma opinião positiva sobre Israel. O primeiro e maior obstáculo que os progressistas têm em relação a Israel é o do entendimento; eles simplesmente não conseguem conceber as ações de defesa de Israel, que para eles são uma violência deliberada e sádica, injustificável para qualquer ser humano racional.

Essa incapacidade de entendimento não é causada por uma má compreensão acerca dos fatos do Oriente Médio; muitas vezes eles sabem que os palestinos atacaram primeiro, que o Hamas visa à destruição de Israel, e que Israel precisa se defender. Essa incapacidade de entendimento é causada, na realidade, por uma deficiência da concepção esquerdista de moralidade.

Na visão progressista de que a realidade é permeada apenas por opressores e oprimidos, o julgamento que a esquerda faz é quase sempre estético. Eles batem o olho na realidade, fazem uma análise da aparência global de uma situação (Gestalt), e avaliam: quem tem o jeitão de ser o opressor, e quem tem o jeitão de ser o oprimido?

Na propaganda iconográfica – na simbologia, na semiótica, na estética – do conflito, Israel tem os tanques, os aviões, a tecnologia militar; e os palestinos, no entanto, são retratados como inofensivos, munidos apenas de paus e pedras e algumas outras armas meio inefetivas. Para o progressista, não importa quem está errado, quem iniciou o conflito, quem tem más intenções em relação ao outro; na gramática progressista, importa apenas que os palestinos têm o jeitão estético de serem os oprimidos, e por isso eles terão sempre razão.

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Daí nos meus debates costumo perguntar, como teste, o seguinte:

a) Se um indigente na rua der um tapa na cara do seu filho, você devolve um tapa regulando a sua força para corresponder à força que o estranho utilizou, ou você defende o seu filho com a sua máxima força, para repelir a agressão de uma vez?

b) Se um bandido rouba alguém, ele é totalmente culpado por seus atos, ou ele é uma vítima da sociedade?

Na maioria dos casos, a fenda moral se revela. O esquerdista não tem a convicção de que a sua vida (e a da sua família) deva ser defendida, e acredita que ele é, pelo menos parcialmente, culpado pela bandidagem. Na moral tortuosa do esquerdismo, somos nós que fazemos que o bandido venha nos assaltar; nós é que causamos o nosso próprio assalto, por meio da influência negativa que exercemos sobre o assaltante; nós somos os algozes, e o bandido é a vítima.

Da mesma maneira, se o Hamas ataca Israel, é porque os israelenses deram causa ao ataque; de alguma forma, a sociedade israelense criou uma situação que levou palestinos a invadirem Israel para matar e sequestrar civis. Como o terrorista é a vítima da sociedade, a única coisa legítima que Israel pode fazer é não fazer nada, é sofrer em silencio, é deixar-se matar. É evidente que alguém com essa moral será incapaz de entender Israel e sua legítima defesa.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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