De 30 de maio a 9 de junho deste ano, viajei para Israel com um grupo, visitando locais sagrados e ouvindo relatos de sobreviventes dos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023.
Quando o Irã e Israel começaram a trocar tiros, meu telefone vibrou. Foguetes.
Corri para a escadaria do meu hotel em Jerusalém. Outro hóspede compartilhou um vídeo mostrando um míssil sendo interceptado acima do hotel. Passaram-se alguns minutos, e recebemos o sinal de que tudo estava bem.
De volta à minha varanda, observei os motoristas dirigindo na rodovia, os ônibus fazendo suas rotas e os corredores sob o sol da manhã. Essa experiência foi chocante para um americano. Para os israelenses, era simplesmente parte do cotidiano. Influenciadores americanos frequentemente retratam Israel como um ator duvidoso, enquanto a mídia tradicional mostra um Estado judeu devastado pela guerra e dividido por linhas étnicas e religiosas. Embora a crítica bem-intencionada seja importante, a realidade é muito mais complexa.
Passei 10 dias no início de junho viajando com um grupo por Israel e ouvindo relatos de sobreviventes dos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023.
Encontramos uma nação diversa em cultura e religião e um povo marcado pela guerra, mas que ainda nutre esperança de paz
Unidade improvável
Após um dia inteiro de viagem, chegamos a Jerusalém e fomos direto para o Shuk: um mercado noturno movimentado, com dezenas de restaurantes e bares. Encontramos pessoas de todas as culturas bebendo, dançando e cantando. Alguns israelenses perceberam que éramos americanos e começaram a gritar: “EUA!”.
Alguns dias depois, viajamos para o Mar Morto. Lá, encontramos vários jovens palestinos. Eles ficaram curiosos em conhecer americanos, perguntando nossas idades e de onde éramos. Eles eram da Cisjordânia, especificamente da cidade de Nablus, assolada por conflitos. Um deles tentou me dar seu chapéu. Dois se aproximaram e sussurraram: “A Palestina ama os EUA”.
Também viajamos por uma das maiores cidades árabes de Israel, Nazaré — a cidade natal de Jesus. Lá fica a Basílica da Anunciação, uma das maiores igrejas cristãs do Oriente Médio. Ao sair da igreja, o chamado islâmico para a oração ecoava de todas as direções, enquanto milhares de muçulmanos viviam e praticavam sua fé livremente. Em Israel, havia aproximadamente 1,82 milhão de muçulmanos em 2024, segundo a Statista. Enquanto isso, uma estimativa apontou menos de 25 mil judeus em todo o restante do Oriente Médio em 2026. Essa diversidade religiosa talvez seja mais evidente na Cidade Velha de Jerusalém.
No centro da cidade fica a Mesquita de Al-Aqsa, um local sagrado para os muçulmanos. Logo abaixo, milhares de judeus e alguns cristãos se reúnem para orar no Muro das Lamentações, no Monte do Templo. Ali, as três principais religiões do mundo cultuavam lado a lado. Enquanto isso, crianças de apenas 4 anos corriam e brincavam pelas ruas. Elas estavam desacompanhadas e despreocupadas, mesmo em tempos de guerra.
Esperança em meio ao horror
Na manhã de 7 de outubro de 2023, os israelenses nas aldeias desérticas na fronteira com Gaza acordaram com o som de sirenes. Isso não era novidade. Com apenas 10 a 15 segundos de aviso, eles correram para seus abrigos seguros.
Naor Hasidim e Sivan Elkabetz, um casal de 23 anos, estavam em casa no bairro Young Generation, em Kfar Aza. Rapidamente perceberam que o perigo era real. “Pai, a casa está toda trancada?”, Sivan mandou uma mensagem ao pai. “Estamos ouvindo muitos tiros aqui. O que está acontecendo?”
“O exército está lidando com os terroristas”, respondeu ele. O Hamas capturou a aldeia em uma hora, e levou mais uma hora para que os primeiros soldados chegassem. Os terroristas começaram a invadir o bairro da Jovem Geração por volta das 9h36. Naor enviou a última mensagem do casal às 11h13: “Eles atiraram na casa. Tem algum soldado aí?”
Pouco tempo depois, Naor e Sivan estavam mortos. Após a invasão do Hamas, as Forças de Defesa de Israel levaram três dias para eliminar os terroristas. Mais de dois anos e meio depois, a casa de Naor e Sivan permanece praticamente como estava naquele dia fatídico.
Atravessei a porta da frente, e a morte me oprimiu. A cozinha estava em desordem — louça suja ainda na pia, cercada por cacos de vidro e eletrodomésticos quebrados. Buracos de bala pontilhavam o teto. Fotos da cena do crime, tão perturbadoras que é impossível mencioná-las, forravam as paredes.
No quarto dos fundos, onde Naor e Sivan se esconderam por horas, roupas estavam espalhadas pelo chão. Um colchão rasgado e surrado se destacava no ambiente, uma lembrança dos últimos momentos do casal.
Rezei ao sair de casa. Lá fora, o restante da vizinhança de Naor e Sivan ainda carrega as marcas do caos e do assassinato.
Nosso grupo parou diante de Shachar Shnurman, morador de longa data de Kfar Aza, e sua esposa, que sobreviveram milagrosamente ao ataque. Eles nos mostraram as casas onde seus vizinhos moravam. Paramos na entrada da comunidade, separada de Gaza apenas por uma cerca de arame farpado.
“Você não pode destruir uma nação”, disse Shnurman. “Não importa o que todas as pessoas inteligentes do mundo digam… Este será meu vizinho pelos próximos 100, 200, 300, 400 anos.”
O ataque do Hamas em 7 de outubro resultou na morte de mais de 1.200 pessoas, a maioria civis — o maior massacre de judeus desde o Holocausto. Em Kfar Aza, terroristas mataram 62 moradores e 18 membros das forças de segurança, além de fazer 19 civis reféns.
Apesar da dor e da perda sofridas em 7 de outubro, Shnurman manteve a esperança de paz.
“Vocês não precisam me amar, eu não preciso amá-los”, disse ele sobre os habitantes de Gaza. “Mas viver em um lugar onde ninguém quer te matar… Depois disso, aprendemos a nos amar. É uma vantagem.”
Logan Washburn formou-se pelo Hillsdale College, em Michigan (EUA), em 2024, e atuou como repórter no The Federalist e no The Dallas Express. Também publicou artigos no The Wall Street Journal, The Daily Caller e The Tennessean.
©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: I Visited Wartime Israel. Here’s What the Headlines Aren’t Telling You.
VEJA TAMBÉM:


