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Saída de Ibaneis leva PL a pressionar Michelle por candidatura ao Senado no DF

A desistência do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) de disputar o Senado levou o PL a reavaliar sua estratégia para a eleição no Distrito Federal e intensificar a pressão para que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entre na corrida. Na avaliação da cúpula da legenda, a ausência do ex-chefe do Executivo local reduz a dispersão de votos entre eleitores conservadores e amplia as chances de o partido conquistar as duas vagas em disputa.

Além de Michelle, o PL pretende lançar a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), em um acordo firmado com a governadora Celina Leão (PP), que garantiu à legenda a indicação dos dois candidatos ao Senado. A expectativa do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, é de se reunir mais uma vez nesta semana com a ex-primeira-dama para tratar do tema.

Apesar da nova ofensiva do partido, Michelle ainda não definiu se aceitará disputar uma vaga no Senado. Aliados dela afirmam que a decisão continua em aberto e será tomada em conjunto com o ex-presidente Jair Bolsonaro, antes do início das convenções partidárias.

Entre os fatores que pesam na escolha estão a situação de saúde do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, e o impacto que uma candidatura teria sobre sua agenda nacional de viagens. Apesar disso, integrantes do PL no DF avaliam que Michelle reúne hoje um dos maiores potenciais eleitorais da direita na capital do país.

Dirigentes da legenda acreditam que sua candidatura, ao lado de Bia Kicis, aumentaria significativamente as chances de o partido conquistar as duas cadeiras em disputa no Senado. A estratégia será semelhante à adotada em Santa Catarina, onde o PL também aposta na eleição de dois nomes: Carlos Bolsonaro e a deputada Carol de Toni.

Além de Valdemar, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também participa das articulações e confirmou que o partido continua insistindo na possibilidade. “Estamos insistindo [que ela seja candidata]”, explicou a senadora, uma das principais aliadas de Michelle.

A pressão conta ainda com o apoio da governadora Celina Leão, que atuou diretamente para que Ibaneis desistisse da disputa pela vaga ao Senado. O emedebista pretendia concorrer ao cargo após deixar a cadeira de governador, mas acabou recuando diante do desgaste provocado pelas investigações sobre o caso do banco Master.

Ibaneis teria mantido conversas com o empresário Daniel Vorcaro durante as tratativas para a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), até então presidido por Paulo Henrique Costa, que está preso. Ibaneis não é formalmente investigado. Desde que assumiu o comando do governo do Distrito Federal, Celina tem buscado se afastar do ex-governador.

“Michelle é pré-candidata ao Senado pelo PL. Ela está somente em um momento mais reclusa para cuidar do presidente Bolsonaro. Nós não temos divisão, vamos trabalhar pela unidade. Essa é a mensagem”, afirmou a governadora.

Aliados tentam manter ex-primeira-dama como ativo eleitoral da direita

Apesar dos atritos recentes com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, aliados da ex-primeira-dama afirmam que sua influência política permanece preservada. A avaliação interna é que Michelle continua sendo uma das principais lideranças do campo conservador e que sua eventual candidatura ao Senado fortaleceria não apenas a chapa do PL no Distrito Federal, mas também as campanhas de candidatos da direita em outras regiões do país.

Aliados de Valdemar afirmam, nos bastidores, que a ex-primeira-dama reúne um eleitorado próprio, especialmente entre mulheres e evangélicos, e mantém capacidade de mobilização nacional. A estratégia agora, dentro da cúpula do PL, é evitar que as divergências internas comprometam esse capital eleitoral em um momento considerado decisivo para o projeto do partido de ampliar sua bancada no Senado e fortalecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Levantamento do instituto Meio/Ideia apontou Michelle como a mulher mais poderosa do país na avaliação espontânea de 15,4% dos entrevistados. A atual primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, foi citada por 9%.

Para o cientista político Rodrigo Augusto Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Michelle já ocupa um espaço próprio. Segundo ele, a ex-primeira-dama construiu uma liderança que ultrapassa a condição de representante da família Bolsonaro e hoje influencia diretamente a estratégia política da direita.

“Por ter assumido a presidência do PL Mulher, ela não é figura periférica do espólio: é um centro autônomo de legitimidade dentro do mesmo movimento”, afirma.

A pesquisa do instituto Meio/Ideia ouviu 1.500 pessoas em todo o país entre os dias 3 e 6 de julho. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05628/2026.

Michelle busca articulação nacional com “Imparáveis”

Mesmo enquanto avalia a candidatura ao Senado, Michelle Bolsonaro tem dado sequência a um projeto político próprio. Após deixar o comando do PL Mulher, a ex-primeira-dama lançou o movimento “Imparáveis”, iniciativa voltada à mobilização de mulheres conservadoras e ao apoio a candidatas da direita nas eleições deste ano.

Segundo aliados, a intenção é manter uma agenda nacional de viagens para fortalecer campanhas femininas em diferentes estados. A definição sobre a candidatura ao Senado passa justamente pela possibilidade de conciliar esse roteiro com uma campanha no Distrito Federal. Interlocutores afirmam que esse será um dos temas da conversa definitiva entre Michelle e o ex-presidente Jair Bolsonaro antes do início das convenções partidárias.

No primeiro encontro que teve com Michelle, ainda no final de junho, Valdemar indicou que a ex-primeira-dama havia sinalizado a intenção de que não pretendia mais disputar o Senado. “Ela falou para mim que não queria ser mais candidata”, afirmou o dirigente do PL em entrevista à CNN Brasil.

Na conversa, ele teria tentado convencê-la a rever a decisão. “Eu falei: isso é um prejuízo para o partido muito grande. A senhora se elege senadora, fica oito anos, vai aprender, vai ter uma base boa para seguir em frente na política, porque a senhora é nova”, relatou.

Apesar da resistência inicial, Valdemar disse acreditar que Michelle acabará aceitando disputar a eleição. “Eu acho que ela sai candidata e vai chegar em primeiro lugar em Brasília, não tenho dúvida”, completou.

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