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A seleção da Copa e a que escolhemos no voto são o nosso reflexo

Em outubro, é o voto do brasileiro que vai convocar seus representantes para os próximos quatro anos. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT/Gazeta do Povo)

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Na véspera do jogo contra a Noruega, a seleção brasileira já era praticamente hexacampeã do mundo, como anunciava o ufanismo do noticiário. No dia seguinte ao 2×1 para a Noruega, a seleção só era uma colcha de retalhos, cheia de defeitos. O Brasil é o maior, mas também é vira-lata. Como não vi a partida, fui pesquisar as impressões dos analistas, comentaristas e técnicos infiltrados na população brasileira. Lentidão mental, despreparo, falta de espírito de equipe, ausência de liderança, fragilidade emocional, nervosismo nos momentos que exigem cabeça fria, falta de empenho, ausência de “raça” para defender a camisa do Brasil, distância da realidade nacional, técnico estrangeiro, falta de planejamento, falta de craques nas posições decisivas, movimentos táticos ultrapassados e, até no futebol, politização em torno do maior craque, Neymar. “Jogador de home office” saiu da boca do presidente.

Quando terminei a pesquisa, veio a luz. Eureka! Essas são características do brasileiro em geral. A seleção nos representa, como nos representam os vereadores, deputados e senadores a quem nem lembramos se demos o voto. É bem isso que marca nossa eliminação no concerto das nações, mesmo tendo um gigantesco potencial para estarmos entre as primeiras nações do mundo, e ombrearmos com Estados Unidos e China. Somos tudo aquilo que diagnosticamos na seleção brasileira, inclusive com o defeito de sermos campeões antes do jogo e frustrados depois dele, porque ingenuamente acreditamos nos gritos alheios e nos nossos próprios gritos. Gostamos de nos enganar, ainda que a realidade nos mostre reiteradamente que depois sofremos. Viver de esperança é só poético, mas nada prático.

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A última Copa que acompanhei com interesse foi a de 1970. Fomos tricampeões com “raça”, determinação, competência, estratégia e tática insuperáveis, espírito de equipe, com dedicação, sem vaidades ridículas, rapidez mental e física no campo, técnico e jogadores radicados no Brasil, jogando com entusiasmo. Eram um retrato potencial do país e fizeram despertar um otimismo e entusiasmo que resultou no milagre brasileiro,em que crescemos 11,2% em média anual por quatro anos. Chegamos ao crescimento de 14% do PIB em 1973! Não foi governo; foi a semente da seleção de Zagallo.

No Evangelho de domingo, Mateus contou a parábola do semeador, em que Jesus menciona os que “olhando, não veem; ouvindo, eles não escutam nem compreendem”. A alienação que está entre os defeitos da seleção também é uma das mazelas do eleitor brasileiro, que olha e ouve, mas não vê, não escuta nem entende. E aí, somos eliminados na disputa mundial pelo amanhã de cada um. A eleição dentro de dois meses e meio vai decidir o futuro da nossa família, do nosso emprego, dos impostos que pagamos, da nossa segurança, da nossa saúde, do nosso bem-estar, dos preços e juros que pagamos, do carro, da picanha, das escolas dos nossos filhos e netos, dos hospitais de nossa velhice. Mas só discutimos pessoas e não como cada um vai jogar durante os próximos quatro anos. Vai cair onde a semente do voto? Na beira da estrada, no meio das pedras e espinhos ou em terra boa?

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Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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