Do vazio dos domingos à alegria da fé. (Foto: Imagem criada utilizando OpenAI/Gazeta do Povo)
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Durante muito tempo em minha vida, os domingos eram o pior dia da semana. No domingo — especialmente nas tardes de domingo — manifestavam-se todos os meus fantasmas, todas as minhas angústias, todos os meus remorsos. Domingo, para mim, não era o primeiro dia da semana, mas o fim de um ciclo interminável: eu era o Sísifo condenado a levar a rocha mais uma vez até o topo da montanha. A substância dos meus domingos era o absurdo.
Até que um dia eu descobri que os domingos não eram meus: eles pertenciam a Outra Pessoa. O dono do domingo era o Deus ressuscitado, e meu coração só descansou quando reconheceu essa verdade tão simples.
Agora os meus domingos são diferentes. Eles são, de longe, o melhor dia da semana. A propósito, hoje eu acredito que o destino último de todos os dias da semana é transformar-se no Grande Domingo do Céu.
Neste domingo, eu fui à missa no Santuário Eucarístico Mariano, onde jaz o corpo da serva de Deus Madre Leônia, a santa da minha rua. Convidado a fazer uma das leituras da missa — uma passagem da luminosa Carta de São Paulo aos Romanos —, aguardava o início da procissão de entrada quando identifiquei, entre os fiéis, a presença de minha amiga Cintia.
Fiquei muito feliz por ver a Cintia na missa. Dias atrás, soube que ela estava muito doente. Pensei comigo que certamente Cintia havia tido uma considerável melhora, a ponto de poder comparecer à missa. E fiz uma oração silenciosa por ela.
Minutos depois, li a passagem da Carta aos Romanos:
“Pois eu tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória vindoura, que se manifestará em nós. (…) Sabemos que todas as criaturas gemem e estão como que com dores de parto, até agora. E não só elas, mas também nós mesmos, que temos as primícias do Espírito: também nós gememos dentro de nós mesmos, esperando a adoção de filhos de Deus, a redenção do nosso corpo.”
Ao ler essa passagem, tinha em mente a situação da Cintia. “Os sofrimentos do tempo presente” — qual de nós não se identificará com essas palavras do apóstolo, especialmente aqueles que enfrentam a doença, a angústia, o desconcerto do mundo? “Também nós gememos dentro de nós mesmos.”
Em casa, depois da missa, enviei uma mensagem à Carla, irmã da Cintia, também minha amiga de muitos anos. Disse a ela estar feliz por ter visto a Cintia no Santuário.
Carla respondeu:
— Paulinho, eu fico feliz por você ter se lembrado da Cintia, mas ela está na UTI há vários dias. Nos próximos dias, ela vai fazer uma cirurgia, e estamos todos em oração.
A promotora que teve um ataque de laicismo no Rio de Janeiro o fez depois que um instrutor de crianças leu um singelo poema sobre “o abraço de Deus”.
Eu quero dizer, não apenas à promotora, mas a todos que se incomodam com as manifestações públicas da fé, que neste domingo eu também fui abraçado por Deus. E sei que esse abraço se estende à minha amiga Cintia, que luta pela vida na UTI, à sua irmã Carla e até mesmo à promotora que não gosta que mencionem o nome de Deus.
Graças a esse abraço, eu posso dizer que esta linda segunda-feira em Londrina, na verdade, é um domingo.
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