As gangues quebra-vidros seguem desafiando o policiamento em São Paulo ao aproveitar o trânsito lento para roubar celulares. O crime persiste devido à rapidez na substituição de autores e, principalmente, pela dificuldade em desarticular as redes que compram e desbloqueiam os aparelhos.
Como funcionam os ataques desse tipo de grupo criminoso?
Os criminosos costumam ser jovens que usam uma vela de ignição automotiva para estilhaçar o vidro dos carros parados em semáforos ou engarrafamentos. Eles agem rapidamente, pegam o celular da vítima e fogem correndo, muitas vezes na contramão das vias. O trânsito lento é o principal aliado desses grupos, pois cria a janela de oportunidade perfeita para a abordagem e a fuga sem que o motorista consiga reagir ou perseguir os autores.
Por que a polícia tem dificuldade em acabar com esse crime?
O grande obstáculo não é o flagrante, já que prisões ocorrem com frequência, mas sim a impunidade na cadeia de comercialização. Enquanto os executores são facilmente substituídos — muitas vezes por serem menores de idade que retornam rápido às ruas —, as lideranças que organizam o desbloqueio e a revenda dos aparelhos roubados permanecem operando. Além disso, barreiras legais como a inviolabilidade do domicílio impedem buscas em locais apontados por geolocalização.
Qual é o papel dos adolescentes nessa estrutura criminosa?
Organizações criminosas utilizam menores como a ‘linha de frente’ por saberem que as punições previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) são mais brandas para crimes patrimoniais sem violência física direta. Na prática, adolescentes flagrados quebrando o vidro são frequentemente enquadrados em furto qualificado, o que raramente resulta em internação. Isso gera uma sensação de ‘porta giratória’, onde o jovem volta ao crime pouco tempo após ser apreendido.
O que as autoridades estão fazendo para combater o problema?
O Governo de São Paulo intensificou ações de inteligência e o programa SP Mobile, que já recuperou milhares de aparelhos. Na capital, a prefeitura reforçou o patrulhamento com a Guarda Civil e instalou milhares de câmeras pelo programa Smart Sampa. No campo jurídico, novas leis em vigor desde 2025 e 2026 aumentaram as penas para o roubo de dispositivos eletrônicos e para o crime de receptação, tentando tornar o negócio menos lucrativo para quem compra o produto roubado.
Onde os celulares roubados costumam ser levados após o crime?
Investigações e relatos de vítimas apontam endereços específicos em bairros centrais, como a Liberdade, que funcionariam como laboratórios de desbloqueio. No entanto, o sistema de localização aproximada de aplicativos nem sempre é aceito pela Justiça como prova suficiente para a invasão policial sem um mandado específico. O Estado agora busca produzir provas mais robustas para realizar buscas válidas e eficazes que desmontem esses centros de tecnologia do crime.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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