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Startup brasileira ajuda a levar cidadania a crianças e combater caso de trocas e raptos de bebês em 9 estados do país

A Infant.ID desenvolveu uma tecnologia brasileira de biometria infantil capaz de identificar crianças desde as primeiras horas de vida. A solução já está presente em nove estados e contribui para prevenir trocas de bebês, sub-registros e outros crimes relacionados à identificação infantil. (Foto: Divulgação)

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A Infant.ID atua em nove estados do Brasil e já realizou mais de 320 mil coletas biométricas de crianças de 0 a 7 anos. O objetivo da startup brasileira de identificação biométrica é ajudar a combater crimes como trocas de bebês, sub-registros e tráfico internacional. Em 2025, 66 crianças ou adolescentes desapareceram por dia no país, segundo dados do Ministério da Justiça.

“A demanda é nacional, mas como ainda não existe uma normativa federal consolidada, a tecnologia precisa ser homologada estado por estado”, diz José Ricardo Tobias, diretor-executivo da Infant.ID. Ele explica que entre os nove estados já com homologação, a solução é usada em níveis diferentes: apenas para testes, na reta final para adoção ou em uso de fato.

Em Mato Grosso e no Piauí, por exemplo, os equipamentos já funcionam em larga escala no dia a dia dos postos de identificação, cartórios, prefeituras e hospitais.

O pioneirismo dos dois estados responde a uma exigência legal vigente desde 1990 em todo o Brasil. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) exige que o Estado faça a identificação precisa de todas as crianças e o vínculo dos bebês às mães. No entanto, há uma limitação dos leitores biométricos comuns, pouco sensíveis à densidade e à nitidez de digitais dessa faixa etária.

Desde 2012, a Infant.ID conduz pesquisas para resolver o gargalo da leitura biométrica neonatal. Fundada em Curitiba, ela desenvolveu uma tecnologia com ultrarresolução dez vezes superior aos equipamentos convencionais, o que permite a captura correta de digitais desde as primeiras horas de vida. Hoje, a startup trabalha em parceria com mais de 30 pesquisadores da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) focados em biometria avançada. 

A solução é 100% brasileira, do hardware ao software, com produção em fábrica própria, em Pato Branco, no interior do Paraná. De lá, os leitores biométricos são transportados para todas as regiões do Brasil. Alguns já viajaram para fora do país, em demonstrações e casos específicos no Oriente Médio, América Latina e África. De acordo com Tobias, até o fim de 2026, o objetivo é implementar os equipamentos de forma comercial em um país com homologação já em nível avançado.

Há um respaldo institucional para a expansão global da Infant.ID. A tecnologia é a única no mundo patenteada e com certificação do FBI (FAP 10, FAP 30, Mobile ID e PIV) e do NIST, órgão americano que define padrões de segurança, para uso civil e forense. Com essas garantias, sistemas governamentais podem usar dados coletados pelos leitores biométricos para garantir os direitos de bebês e crianças.

A custódia dos dados pertence aos estados, que ficam responsáveis por integrar sistemas hospitalares, institutos de identificação e órgãos públicos, como polícia civil e controles de fronteira. Segundo Tobias, a interoperabilidade garante o compartilhamento seguro e eficiente dos dados biométricos e o acompanhamento contínuo e acessível das crianças ao longo da vida. “Nosso trabalho é garantir que todas as crianças tenham acesso à cidadania e proteção, construindo um legado de segurança e esperança para o futuro”.

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