O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que o Brasil pretende assumir protagonismo na exploração de terras raras e minerais críticos, defendendo que o país deixe de exportar apenas matéria-prima e passe a agregar valor à produção. Em tom de provocação, o petista disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “pode se preocupar”, ao afirmar que o Brasil pretende competir no setor.
A fala foi feita após reunião com ministros e representantes do setor no Palácio do Planalto e ocorre em um momento de crescente disputa internacional pelo acesso aos chamados minerais críticos. O Brasil é apontado como detentor de um dos maiores potenciais de terras raras do mundo, mas ainda responde por uma parcela reduzida da produção global. Enquanto isso, a China que concentra a maior parte da mineração e, principalmente, do processamento desses materiais compete com os Estados Unidos pelo domínio dos recursos.
Lula afirmou que o Brasil reúne condições para transformar sua posição no mercado global de minerais estratégicos, considerados essenciais para a fabricação de semicondutores, baterias, veículos elétricos, equipamentos militares e tecnologias de energia limpa.
“Essa reunião de hoje é a mudança da nossa história nessa questão das terras raras e minerais críticos. Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a estar preocupado com o Brasil, que nós vamos ser detentores de fazer as mesmas coisas, ou mais qualificadas, que o chinês faz. Nós não queremos ser vendedores de matéria-prima, nós queremos ser exportadores de inteligência, de conhecimento”, disse o petista.
Apesar da provocação, Lula admitiu que não conhece o assunto. Ao falar sobre as pretensões do Brasil no setor ele completou que “é isso que a gente vai fazer com essas famosas terras tão raras, que eu ainda não as conheço. Mas vou conhecê-las”.
VEJA TAMBÉM:
Meta oficial mira 2050
Apesar do tom enfático do presidente, a estratégia oficial do governo trabalha com um horizonte de longo prazo. O Plano Nacional de Mineração 2050, apresentado pelo Ministério de Minas e Energia na quinta-feira passada (2), estabelece a meta de elevar a participação brasileira na produção global de minerais críticos de 8,3% para 12,2% até 2050.
O documento prevê ampliar investimentos em pesquisa geológica, mineração, processamento e agregação de valor industrial, além de estimular projetos ligados a lítio, níquel, cobre, grafita e terras raras.
O plano também reconhece que o principal desafio brasileiro não está apenas na extração mineral, mas na capacidade de processamento e refino, etapa em que a China concentra grande parte da cadeia global. A China responde por 69% da produção de terras raras, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Embora o Brasil possua potencial relevante de terras raras e outros minerais estratégicos, sua participação efetiva no mercado internacional ainda é limitada. Em 2024, o Brasil produziu cerca de 20 toneladas de terras raras, em contraste com a produção mundial de 390 mil toneladas, segundo levantamento do Ipea com a Agência Nacional de Mineração.


