O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), revelou que seu partido não terá um candidato próprio à Presidência em 2026. Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo divulgada nesta quarta-feira (8), o parlamentar afirmou que a estratégia é ganhar tempo para construir um bom projeto de terceira via para as eleições de 2030.
“Olha, depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição. Isso foi cogitado há pouco tempo”, afirmou, relembrando que, além dele próprio, já foi aventada a possibilidade de candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).
Ciro, no entanto, possui outros planos. O ex-governador do Ceará pretende voltar a comandar o Palácio da Abolição e, para chegar ao poder e derrotar a gestão petista de Elmano de Freitas, conta com o apoio do PL. A aliança gerou uma divisão interna no PL: de um lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se juntou ao deputado federal André Fernandes (PL-CE) em um discurso pragmático e de obediência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Do outro lado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) nega que seu marido tenha autorizado tal aliança e lembra dos insultos do ex-ministro do governo Lula (PT) ao ex-presidente.
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Sobre qual dos lados escolheria em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o parlamentar disse que sempre fez uma “oposição conceitual” ao petista, mas sem ser seu inimigo.
“Fui governador [de Minas Gerais] com o presidente Lula, mas eu fazia uma oposição conceitual a ele. Mas nunca fui inimigo do Lula. Acho que o governo do PT vem fazendo mal ao Brasil, porque se está de novo vendo que no PT virou o poder pelo poder”, argumentou.
Do outro lado, Aécio se vê alinhado aos ideais liberais do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, mas alegou que por ser “filho do regime democrático”, se incomoda quando alguém “flerta com autoritarismo”.
“Confesso que do outro lado poderia dizer até que eu tenho, do ponto de vista da economia, uma visão mais liberal, então é mais próxima ao que o Paulo Guedes pregou lá atrás. […] Eu sou filho da democracia, eu começo minha trajetória lutando com a ditadura. Quando alguém flerta contra o regime democrático, flerta com autoritarismo, isso me incomoda”, completou.
Nas eleições de 2014, o Brasil se dividiu entre Aécio e a ex-presidente Dilma Rouseff (PT). Agora, porém, o deputado acredita que o Brasil caiu em uma “armadilha de radicalização política” e que a polarização entre PT e PL é prejudicial ao país e o manterá dividido entre dois extremos que se alimentam do agravamento da cisão.
“Meu papel hoje, repito, ao retornar à presidência do PSDB, é dizer que existe vida inteligente entre os extremos e que nós vamos liderar um projeto para o Brasil”, afirmou.


