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Oposição quer convocar Mauro Vieira e ameaça CPMI para investigar atuação do Itamaraty

Deputados da oposição anunciaram nesta terça-feira (7) que pretendem convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos ao Congresso sobre a condução da política externa brasileira. Caso não obtenham respostas, eles prometem protocolar um pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a atuação do Itamaraty.

A iniciativa foi anunciada pelo deputado federal Evair de Melo (PP-ES), que fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao chanceler Mauro Vieira e ao assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim.

A pressão da oposição ocorre um dia após vir a público a resposta do Ministério das Relações Exteriores a um requerimento de informações da Câmara dos Deputados sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Segundo o Itamaraty, a medida pode abrir margem para o uso de força militar norte-americana em território brasileiro.

No documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira, a pasta também alerta para possíveis impactos econômicos e à soberania nacional decorrentes da medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump.

Segundo Melo, a oposição pretende inicialmente convocar o ministro nas comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública da Câmara. Paralelamente, os parlamentares começaram a elaborar a minuta de um pedido de CPMI para apurar o que classificam como “omissão” e “fragilidade” da diplomacia brasileira em temas relacionados à segurança internacional e ao combate ao crime organizado.

“Primeiro fizemos uma manifestação por escrito. Agora, diante da resposta considerada insuficiente do ministro Mauro Vieira, decidimos convocá-lo para que venha à Câmara esclarecer esses fatos. Ao mesmo tempo, estamos preparando a minuta para coletar assinaturas para uma CPMI”, afirmou o deputado.

Críticas à condução da política externa e ataques a Celso Amorim

Melo acusou o governo Lula de adotar uma postura de confronto com os Estados Unidos em vez de buscar negociações diante das recentes tensões comerciais entre os dois países.

Na avaliação do parlamentar, Washington é um parceiro estratégico para diversos setores da economia brasileira, como o agronegócio, a indústria de celulose, minerais, rochas ornamentais e proteínas animais.

“O governo brasileiro deveria estar sentado à mesa negociando. Os Estados Unidos são um grande parceiro econômico do Brasil. Se perdermos essa parceria, setores importantes da economia serão afetados”, declarou.

O deputado também criticou o discurso do governo em defesa da soberania nacional, afirmando que a estratégia busca criar uma mobilização política interna em torno do tema.

Melo também direcionou críticas ao assessor especial da Presidência, apontando-o como o principal formulador da política externa do governo brasileiro. “O grande mentor intelectual do presidente Lula é Celso Amorim”, afirmou.

Relação entre segurança e economia

Outro ponto abordado pelos parlamentares foi a preocupação com os impactos econômicos provocados, segundo eles, pelo avanço do crime organizado e pela insegurança jurídica no país.

Melo afirmou que recursos provenientes do narcotráfico estariam sendo utilizados para aquisição de empresas no Brasil e que a combinação entre criminalidade, aumento da carga tributária e insegurança jurídica estaria levando companhias a deixarem o país.

Na avaliação do deputado, a condução da política econômica e das relações internacionais pelo governo Lula também contribui para esse cenário. A oposição informou que pretende iniciar a coleta de assinaturas para a CPMI caso considere insuficientes os esclarecimentos do Ministério das Relações Exteriores.

Segundo Melo, o objetivo inicial é obter respostas do chanceler Mauro Vieira nas comissões temáticas da Câmara. Caso isso não ocorra, os parlamentares afirmam que irão pressionar pela instalação da comissão de investigação no Congresso Nacional. “Queremos evitar a necessidade de uma CPMI. Mas, se o Itamaraty insistir no silêncio, vamos buscar a instalação da comissão para investigar esse tema.”

A Gazeta do Povo procurou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) para que comentassem as acusações feitas pelos parlamentares da oposição e informassem se pretendem se manifestar sobre o assunto. Até a publicação desta reportagem, porém, não houve retorno.

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