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Momento geopolítico exige paradiplomacia e multilateralismo

(Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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Tivemos a oportunidade de participar do Congresso de Cidades e Governos Locais Unidos e Metrópoles, na cidade de Tânger, Marrocos, no final do mês de junho. É palpável a força das cidades em seu trabalho conjunto para encontrar caminhos justos para políticas públicas semelhantes, que giram, hoje, especialmente, em torno da sustentabilidade, da inovação, da digitalização e da segurança, além da saúde e da educação, abrangendo também tudo o que envolve imigração e moradia, bem como longevidade e empregabilidade para todos.

A paradiplomacia – relações internacionais exercidas por governos subnacionais – é uma realidade cada dia mais abrangente e eficaz, principalmente em momentos geopoliticamente conturbados. Paralelamente, o municipalismo vai, naturalmente, tornando-se a força capaz de unir o mundo em torno de objetivos realmente sustentáveis e, sobretudo, humanos, impactando, de perto, a qualidade de vida das pessoas.

Por outro lado, as relações multilaterais vão se fortalecendo como voz ativa, na qual se podem encontrar alternativas para problemas comuns, salvaguardando a diversidade, com respeito, interação e projeção tanto global quanto individual, potencializando a dignidade integral de cada pessoa.

Ao mesmo tempo, esse intercâmbio multilateral gera relações bilaterais saudáveis, não de domínio de um sobre o outro, com base em um utilitarismo, muitas vezes camuflado de protecionismo – ou, até mesmo, ostensivo –, mas em uma genuína busca de um ganha-ganha para todos, bem como de uma verdadeira solidariedade internacional.

A paradiplomacia multilateral pode ser, de fato, a via mais bem fundamentada para unir e servir em novos contextos, por sua concentração na unidade entre cidade e pessoa

O tema que nos uniu recentemente nessa cúpula foi a nova geração de serviços públicos e a oferta assegurada dos essentials, visando não apenas entregas, mas um verdadeiro serviço àqueles que nos são, de certa forma, confiados.

Paralelamente, tivemos variados painéis sobre políticas públicas fundamentais, nos quais São Paulo também trouxe sua contribuição com programas de sustentabilidade, segurança pública, empregabilidade, mudanças climáticas etc., conquistando duas premiações e uma classificação para uma terceira, em uma rede de mil cidades de 140 países, além de ser eleita para a copresidência da metrópoles.

Porém, o que visamos destacar neste espaço é a necessidade de buscar aquilo que une – urbi et orbi: da cidade para o mundo –, respeitando a diversidade cultural, política etc., para projetar melhor nossas cidades e favorecer a vida dos cidadãos.

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Nesse sentido, as cúpulas fortaleceram laços muito importantes para a cooperação internacional, que vai se expandindo em círculos concêntricos, beneficiando o mundo. Ainda que seja um desafio trabalhar de forma técnica e focada no bem comum, sem se deixar levar por preferências políticas, por uma visão competitiva ou por interesses de grupos, é realmente comovente ver o quanto essas relações são movidas, sobretudo, por pessoas desejando o bem de tantas outras, dispostas a dialogar e encontrar soluções para favorecer a todos, começando pelos mais vulneráveis.

O multilateralismo paradiplomático democratiza as pautas e dilui interesses autocentrados, permitindo um diálogo aberto e ações mais concretas.

De qualquer forma, em um mundo fragmentado por projetos de poder, ideologias políticas e radicalismo, é preciso estar atento para que o genuíno pluralismo não se contamine por objetivos de grupos incompatíveis com os fins a que se destinam essas relações.

De fato, como bem destacado pelo papa Leão XIV, na tão atual encíclica Magnificas Humanitas, à medida que ganham terreno lógicas de contraposição e agressividade, torna-se ainda mais necessária a união por meio de instituições que realmente trabalhem por um desenvolvimento global justo, acentuando, ao mesmo tempo, a originalidade natural de tradições e culturas diversas, que representam uma riqueza para a humanidade, e assegurando, paralelamente, a dignidade absoluta de cada pessoa.

A paradiplomacia multilateral pode ser, de fato, a via mais bem fundamentada para unir e servir em novos contextos, por sua concentração na unidade entre cidade e pessoa, vínculo bem destacado durante as cúpulas mencionadas, nas quais a nova geração de serviços, a começar pela digitalização focada no ser humano, constitui um exemplo dessa vertente.

Dessa forma, é possível purificar a política, conduzindo-a ao seu verdadeiro objetivo – bem distante de entregas eleitoreiras e da ânsia de poder paternalista e assistencialista –, hoje ampliado: projetar cada pessoa e a comunidade, do local ao global, com ética, justiça e paz.

Angela Gandra Martins, advogada, mestre, doutora e pós-doutora em Filosofia do Direito, é presidente do Instituto Ives Gandra de Direito, Filosofia e Economia, diretora da Law e Liberty Society, e ocupa o cargo de secretária municipal de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo.   

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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