Entre oportunidades de crescimento e entraves regulatórios, empreender no Brasil exige planejamento, resiliência e capacidade de adaptação (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)
Apesar da forte vocação empreendedora, 60% das empresas brasileiras fecham as portas em até cinco anos. O cenário é reflexo de um ambiente de negócios hostil em 2026, marcado por burocracia excessiva, alta carga tributária e insegurança jurídica, o que trava o desenvolvimento do país.
Qual é o maior obstáculo para quem quer abrir um negócio hoje?
O principal entrave é o chamado ‘custo Brasil’. Ele envolve a enorme burocracia que consome tempo e dinheiro. Para se ter uma ideia, enquanto em países ricos gasta-se cerca de 200 horas anuais com impostos, no Brasil esse número passa de 1.500 horas. O empreendedor acaba gastando mais energia tentando ficar dentro das regras do que focado em fazer a sua empresa crescer.
Como a complexidade dos impostos afeta a sobrevivência das empresas?
O sistema tributário brasileiro é tão instável que são editadas mais de duas novas regras fiscais por hora útil. Essa confusão faz com que muitas empresas paguem impostos a mais sem saber. Como errar para menos gera multas pesadas e o governo raramente avisa quando o erro é para mais, o empresário vive em uma constante insegurança financeira e jurídica.
O desejo de ter o próprio negócio diminuiu com as dificuldades?
Curiosamente, não. O sonho de ter um negócio próprio é o segundo maior desejo dos brasileiros, perdendo apenas para a casa própria. Em 2025, o volume de pequenas empresas abertas bateu o recorde de 5,1 milhões. O brasileiro mostra-se resiliente e menos temeroso quanto ao fracasso, mas o otimismo nem sempre garante que o negócio sobreviva ao mercado.
Qual é a importância das pequenas empresas para a economia nacional?
Elas são o coração do país. As pequenas empresas representam 95% de todos os negócios no Brasil e respondem por mais de um quarto do PIB. Além disso, elas garantem metade dos empregos com carteira assinada e injetam bilhões de reais todos os meses na economia através do pagamento de salários.
O que diferencia um negócio que sobrevive de um que fecha as portas?
A chave está no planejamento. As empresas que vencem os primeiros cinco anos geralmente são aquelas que fazem pesquisas de mercado rigorosas, monitoram custos diariamente e investem em digitalização. O uso consciente do capital de giro e a agilidade em adaptar o produto ao que o consumidor deseja são fundamentais para não se tornar apenas mais uma estatística de fechamento.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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