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Não teremos desculpas para dar aos americanos sobre a corrupção

A mala de dinheiro é um clássico da corrupção brasileira. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)

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Nesta terça-feira, nos Estados Unidos, haverá uma discussão sobre as deslealdades possíveis no comércio Brasil-Estados Unidos, e uma delas é a corrupção no Brasil. Vai ser difícil alguém explicar isso aos americanos, explicar o quanto a corrupção está entranhada aqui. Em Brasília todos sabem quem paga com dinheiro vivo em mala; é gente que não manda Pix nem pede recibo, o dinheiro passa de mão em mão. Isso é sinal de corrupção, sem dúvida. E aí vemos de tudo, do Master até PCC e Comando Vermelho.

Novo governador do Rio já está vendo o tamanho do problema

Falo da corrupção porque o desembargador, Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, assumiu o governo do estado, já que não havia mais nem governador nem vice-governador. Autarquias todas envolvidas com o Master: Rioprevidência, Cedae…  Couto tirou sete secretários, substituiu por gente da confiança dele, e descobriu, de cara, 2.538 funcionários sobrando, fazendo nada. Se todos comparecessem, não caberia tanta gente dentro das repartições.

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Essa gente toda estava lá porque a cultura brasileira é de conseguir um “biquinho” no emprego público e se pendurar no dinheiro dos pagadores de impostos. Foi essa cultura que nos deu territórios “liberados” pelo PCC, pelo Comando Vermelho e pelas milícias. Isso é o caldo do Rio de Janeiro que começou lá atrás, com o jogo do bicho, e todo mundo foi tolerando. É contravenção, é ilegal? Mas faz parte, dá-se um jeitinho. É proibido estacionar em cima da calçada? Dá-se um jeitinho. Não respeitar o sinal, passar por cima da faixa de pedestre com o sinal fechado? Não tem problema, dá-se um jeitinho.

Não é só no futebol que a Noruega nos deixa para trás

E de jeitinho em jeitinho temos a desordem, embora na nossa bandeira (pobre hipocrisia nacional!) esteja escrito “Ordem e Progresso”, porque o progresso é consequência da ordem. Da desordem não vem o progresso, como vemos. Estamos cada vez mais atrasados em relação ao mundo; o futebol é só um sinal. Se compararmos Brasil e Noruega, por exemplo, veremos que a Noruega está em outro mundo, um mundo que ainda não conhecemos.

Rombo recorde das estatais, mais uma realização do governo Lula

Uma das consequências dessa desordem é o que estamos vendo nas estatais: até maio deste ano, segundo o Banco Central, o rombo das estatais federais é de R$ 7,4 bilhões, e já supera o déficit de todo o ano passado, que foi de R$ 5,9 bilhões. Não entram nessa conta a Petrobras, a Caixa Econômica, o BNDES e o Banco do Brasil, mas entram especialmente os Correios, além de Infraero, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda.

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Não é no futebol que encontraremos a felicidade que merecemos

Qual é o nosso problema? Nós nos dedicamos ao futebol. Estávamos atentos à Copa, mas o futebol nos tapa os olhos e ouvidos para as mazelas do nosso país. Sem que nós corrijamos essas mazelas – e não adianta buscar fugas no futebol, na praia, no carnaval –, temos de encarar os fatos: ou nós nos organizamos cumprindo leis, princípios éticos e valores, ou continuamos caindo.

E, caindo, perdemos o direito à felicidade de que tanto se fala. A Declaração da Independência americana, de 250 anos atrás, já dizia que o direito à felicidade é um dom evidente, que não é preciso pedir ao governo. A liberdade e a vida são dons do Criador, segundo Thomas Jefferson. Não percebemos que isso está nas nossas mãos. Governos existem por concessão do povo, porque o povo permite; o povo é que dá a permissão para ser governado, para que haja uma ordem.

Em menos de três meses teremos a oportunidade de decidir sobre essas questões. Não adianta conhecer apenas o nome do candidato; é preciso conhecer o candidato a fundo, saber quais são as ideias dele para o país, quais são suas opiniões, ideias, princípios, doutrinas, objetivos e pretensões – desde que ele não seja mentiroso, claro.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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