Bairros de Curitiba apresentam grande variação na presença de rampas de acessibilidade, segundo dados do Ippuc com base no Censo 2022. (Foto: Hully Paiva/Prefeitura de Curitiba)
Um estudo do Ippuc baseado no Censo 2022 revela que, em Curitiba, bairros centrais como o Alto da Glória possuem mais de 90% de vias acessíveis, enquanto locais como o São Miguel não têm nenhuma rampa para cadeirantes, evidenciando um forte contraste na infraestrutura urbana da capital.
Quais são os bairros com melhor infraestrutura de acessibilidade?
A região central de Curitiba concentra os melhores índices. O Alto da Glória lidera o ranking com 91,45% de seus domicílios localizados em ruas com rampas. Ele é seguido de perto pelo Centro Cívico (90,59%), Batel (89,36%) e Cabral (83,79%). Além das rampas, esses bairros possuem cobertura de calçadas quase total, chegando a 100% em diversas áreas centrais.
Onde a falta de rampas e calçadas é mais crítica?
A carência é maior em bairros distantes do centro. O bairro São Miguel é o caso mais grave, com 0% de rampas para cadeirantes. Outros locais com índices baixíssimos são Caximba (0,60%) e Riviera (0,68%). Em relação às calçadas, o Caximba também amarga o pior índice da cidade, com apenas 9,22% de cobertura, seguido pela Lamenha Pequena (52,49%).
Por que existe tanta diferença entre a qualidade das calçadas?
Historicamente, o modelo de Curitiba atribuiu a construção e manutenção das calçadas aos proprietários dos imóveis. Isso gerou um mosaico de materiais e condições diferentes em um mesmo quarteirão. O Ippuc avalia que calçadas padronizadas e adequadas estão concentradas no centro e nos eixos de transporte, enquanto as áreas periféricas sofrem com trechos estreitos ou inexistentes.
Ter uma rampa garante acessibilidade plena?
Não necessariamente. Especialistas e o Plano Diretor alertam que muitas rampas possuem inclinação inadequada, degraus no encontro com o asfalto ou falta de piso tátil — aquelas faixas em relevo que orientam deficientes visuais. Para haver acessibilidade real, a estrutura deve permitir que qualquer pessoa circule com autonomia e segurança, sem barreiras físicas.
O que a prefeitura planeja fazer para reduzir essa desigualdade?
A revisão do Plano Diretor prevê a criação de ‘rotas caminháveis’, priorizando áreas perto de escolas e unidades de saúde. As novas regras também exigem a padronização das calçadas em três faixas: uma livre para pedestres, uma de serviço (para árvores e postes) e uma de acomodação (junto aos imóveis). Além disso, o novo BRT Leste/Oeste deve modernizar 91% das estações-tubo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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