Mexicanos lamentam enquanto ingleses comemoram a vitória nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2026. (Foto: José Mendez/EFE)
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O que aconteceria se Nossa Senhora de Guadalupe enfrentasse Nossa Senhora de Walsingham em uma partida de orações? Se você considera essa pergunta confusa ou até absurda, agradeça a Deus, porque isso significa que você ainda não perdeu a sanidade na busca de uma falsa santidade.
O que me levou a fazer uma pergunta tão provocativa e descabida foi um artigo publicado pelo Wall Street Journal em 3 de julho, intitulado “Peregrinações por gols: Mexicanos farão quase qualquer coisa por uma vitória na Copa do Mundo”. Sob uma fotografia insólita de uma imagem do Menino Jesus vestida com o uniforme da seleção mexicana de futebol, exposta na Catedral Metropolitana da Cidade do México, presumivelmente para veneração, o artigo descreve as promessas feitas por mexicanos a Nossa Senhora de Guadalupe em troca de suas orações pela vitória do México na Copa do Mundo.
Se as orações da Virgem a seu Filho trouxessem a vitória para a equipe mexicana, os “peregrinos” mexicanos prometiam toda sorte de coisas como atos de piedosa gratidão à Virgem: deixar de beber, estudar com mais dedicação ou tornar-se um cônjuge menos abusivo. “Quando o México joga, muitos torcedores rezam à Virgem de Guadalupe para ajudá-los a empurrar a bola”, disse Francisco Acero, bispo auxiliar da Cidade do México, que no ano passado abençoou o Estádio Azteca após sua reforma.
O que devemos pensar da sugestão de que devemos rezar pela vitória do nosso time?
O artigo do Wall Street Journal foi publicado antes da partida entre México e Inglaterra pela Copa do Mundo, no domingo. Foi escrito com certo tom de leveza, temperado talvez por um toque de cinismo anticatólico, este último expresso por uma especialista, apresentada como “antropóloga empresarial, ex-professora da Universidade Clemson”, que afirmou que o catolicismo foi “imposto” aos povos indígenas do México. Segundo ela, a Igreja foi suficientemente inteligente para permitir que o povo depositasse sua confiança na Virgem de Guadalupe. “Há claramente a percepção de que existe algum tipo de poder ali”, observou.
O que devemos pensar de tudo isso? Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a imensa maioria dos mexicanos não acredita que Nossa Senhora de Guadalupe torça pela seleção mexicana de futebol, nem que peça a seu Filho uma intervenção milagrosa para garantir sua vitória. Mas o que devemos pensar da sugestão de que devemos rezar pela vitória do nosso time?
Como inglês e torcedor do Chelsea desde toda a vida, posso dizer sinceramente que jamais rezei pela vitória do meu país ou do meu clube de futebol. Na melhor das hipóteses, isso me parece absurdo; na pior, obsceno. Se eu fosse fazê-lo, talvez me sentisse tentado a rezar a Nossa Senhora de Walsingham, título dado pelos fiéis ingleses à Bem-Aventurada Virgem Maria após uma aparição em 1061. Durante a Idade Média, a devoção a Nossa Senhora de Walsingham era tão intensa que seu santuário mariano se tornou um dos principais destinos de peregrinação de toda a Cristandade. O exército inglês recorria à sua intercessão antes de grandes batalhas contra os franceses, o que talvez seja mais compreensível em situações de vida ou morte, embora ainda seja questionável e problemático do ponto de vista teológico, caso a oração fosse especificamente pela vitória, e não pela graça de lutar e morrer com coragem.
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Em comparação, Nossa Senhora de Guadalupe é relativamente recente, tendo aparecido a São Juan Diego em 1531. Desde então, porém, o número de peregrinos que visitam a Cidade do México superou de longe o daqueles que percorreram, e ainda percorrem, o Caminho de Walsingham.
Em todo o mundo, especialmente na América do Norte, deve haver milhões de imagens de Nossa Senhora de Guadalupe. Já as imagens de Nossa Senhora de Walsingham são muito menos numerosas.
Nem é preciso dizer que eu não rezei pela vitória da Inglaterra contra o México. Eu esperava, isso sim, que meu país jogasse bem e também que vencesse a melhor equipe – e esperava que essa melhor equipe fosse a Inglaterra. Não estava muito confiante. A partida seria disputada no Azteca, diante de uma torcida apaixonada e declaradamente favorável ao México. Isso favorecia os mexicanos. Além disso, o jogo seria realizado sob calor intenso e a uma altitude superior a 2,1 mil metros acima do nível do mar, mais que o dobro da altura da montanha mais elevada da Inglaterra. Isso também favorecia o México.
Mas, pouco antes do início da partida, as circunstâncias começaram a favorecer a Inglaterra. Uma tempestade trouxe chuva, reduzindo tanto a temperatura quanto a umidade do ar. Houve ainda um atraso de uma hora devido ao mau tempo, permitindo que a temperatura caísse ainda mais antes do apito inicial. O ar ficou mais fresco e o gramado, molhado – duas condições vantajosas para a Inglaterra. Como todos sabem, chove muito na Inglaterra, e os jogadores ingleses estão acostumados a atuar em campos encharcados. À medida que todos esses fatores entravam em cena, comecei a me sentir mais confiante do que estava quando a partida se aproximava do início.
A vitória da Inglaterra não teve nada a ver com as orações da Virgem, nem significou que Nossa Senhora de Guadalupe tivesse deixado de atender às orações dos mexicanos
A Inglaterra jogou muito bem. Ambas as equipes jogaram muito bem. Foi um verdadeiro clássico. A Inglaterra conseguiu manter uma vantagem mínima, apesar de atuar com apenas dez jogadores depois que um jogador inglês recebeu cartão vermelho pouco após o intervalo. A equipe resistiu heroicamente a sucessivas ondas de ataques mexicanos. A recompensa foi uma vitória de tirar o fôlego.
A vitória da Inglaterra não teve nada a ver com as orações da Virgem, nem significou que Nossa Senhora de Guadalupe tivesse deixado de atender às orações daqueles mexicanos que buscaram sua intercessão em favor de sua seleção. Se essas orações foram atendidas, talvez o tenham sido na forma da mais suave das repreensões dirigidas àqueles que haviam cedido à superstição ao procurar a ajuda “mágica” de Maria. A oração dela é sempre a mesma que todos os cristãos são chamados a fazer: que a vontade de Deus seja feita assim na terra, como no céu; que não sejamos conduzidos à tentação, e que sejamos libertados do mal. Aqueles que, antes da partida, foram tentados pela superstição e pelo recurso à “magia” tiveram suas orações atendidas, embora não da maneira que esperavam: foram libertados do mal.
Joseph Pearce é professor visitante de Literatura na Ave Maria University, pesquisador visitante no Thomas More College of Liberal Arts (em Merrimack, New Hampshire), e autor de vários livros.
©2026 The Imaginative Conservative. Publicado com permissão. Original em inglês: Magic, Superstition, & the World Cup
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