Flávio Bolsonaro encaminhou ao governo americano um documento sugerindo que a decisão sobre o tarifaço seja adiada para depois das eleições brasileiras. (Foto: André Coelho/EFE)
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O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo (5) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria interessado na imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros por acreditar que isso poderá lhe render dividendos políticos durante a campanha eleitoral.
A declaração foi feita em Washington, onde o parlamentar participa de agendas relacionadas ao processo conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável por avaliar a adoção das sobretaxas. A audiência sobre o caso está marcada para terça-feira (7).
“O presidente da República simplesmente lavou as mãos e ele é o único no mundo que quer essa tarifação para as empresas brasileiras porque ele acha que vai ter algum retorno político. E todos os itens que estão sendo levados em consideração para saber se vão colocar a tarifa ou não, entre eles, é a corrupção. E claramente sabemos que o governo não combate a corrupção”, afirmou Flávio durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais ao lado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O senador também publicou um vídeo em que afirma ter viajado aos Estados Unidos para defender o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. “Eu vou lá para os Estados Unidos defender o nosso Pix, já que o atual presidente do Brasil está se lixando para empresas brasileiras. E é o único que quer a tarifação dos nossos produtos brasileiros que são enviados para os Estados Unidos”, declarou.
O USTR concluiu recentemente uma investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras consideradas desleais e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. Entre os argumentos apresentados pelos americanos está a alegação de que o Pix prejudicaria empresas dos Estados Unidos.
O governo brasileiro negocia desde o ano passado para evitar a adoção das sobretaxas. Na semana passada, enviou um documento às autoridades americanas argumentando que a medida prejudicaria interesses dos próprios Estados Unidos e reduziria o espaço para o diálogo comercial entre os dois países.
Flávio pede adiamento das tarifas e propõe negociação
Na tentativa de evitar que a oposição seja responsabilizada por uma eventual adoção das tarifas, Flávio Bolsonaro encaminhou ao governo americano um documento sugerindo que a decisão sobre o tarifaço seja adiada para depois das eleições brasileiras.
No texto, o senador afirma ser uma das principais lideranças da oposição e pré-candidato à Presidência, recorda encontros anteriores com Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio e propõe a abertura de uma mesa de negociação sobre os principais pontos levantados pela investigação comercial americana.
Entre as propostas apresentadas estão a eliminação de tarifas sobre o etanol, a redução da carga tributária incidente sobre empresas de cartão de crédito e negociações envolvendo comércio digital, propriedade intelectual, corrupção, desmatamento e tratamento tarifário preferencial.
Segundo o documento, a confirmação imediata das tarifas acabaria beneficiando politicamente Lula, motivo pelo qual o parlamentar defende que qualquer decisão seja tomada somente após o pleito.
Nos últimos dias, Flávio também passou a incorporar a defesa do Pix em seus discursos. Em junho, chegou a exibir um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro!!!”, um dia após Lula utilizar outro com a inscrição “O Pix é do Brasil!”.
Lula chama iniciativa de “entreguismo”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao documento enviado por Flávio Bolsonaro e criticou a iniciativa nas redes sociais. “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, escreveu o presidente.
Lula também afirmou que o Brasil continuará buscando diálogo “de igual para igual” com outros países e criticou o pedido para que o tarifaço seja postergado.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, afirmou.
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