Flávio Bolsonaro chega aos EUA para tentar barrar tarifas sobre produtos brasileiros. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou neste domingo (5) nos Estados Unidos para participar de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na terça-feira (7), quando defenderá a suspensão da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A participação ocorre enquanto o governo Lula mantém uma negociação paralela com Washington para tentar impedir a entrada em vigor da medida, prevista para 15 de julho.
Flávio será um dos expositores do segundo e último dia de debates promovidos pelo USTR, órgão responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação americana. A audiência integra a fase de consultas públicas antes da decisão definitiva do governo Donald Trump sobre a adoção das novas tarifas.
A manifestação do senador está prevista para as 10h no horário de Washington (11h em Brasília). Além dele, também participa da audiência o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
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Flávio pedirá suspensão das tarifas
Antes da audiência, Flávio encaminhou ao USTR uma manifestação de 86 páginas na qual pede a suspensão temporária da sobretaxa e a abertura de um canal bilateral de negociações entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o senador, a cobrança da tarifa prejudicaria exportadores e consumidores dos dois países e acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O parlamentar também defende que o Pix seja retirado do centro da disputa comercial. No documento, argumenta que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura soberana, comparável ao FedNow, operado pelo Federal Reserve, e não um mecanismo de concorrência desleal, como sustentam parte das empresas americanas do setor financeiro.
Entre os demais pontos da manifestação, Flávio afirma que a primeira rodada do tarifaço não produziu mudanças na atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), sustenta que os Estados Unidos também sofreriam prejuízos econômicos com a sobretaxa e defende o aprofundamento das relações comerciais entre os dois países em um eventual governo seu.
Governo mantém negociação paralela
O governo brasileiro mantém uma estratégia paralela para tentar impedir a adoção da tarifa sem abrir mão de pontos considerados sensíveis da política econômica brasileira.
Na última quinta-feira (2), o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, participou de reunião com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e apresentou propostas para atender parte das demandas levantadas na investigação da Seção 301.
O plano contempla temas como propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento ilegal, mas exclui qualquer negociação envolvendo o Pix. Outras duas reuniões entre os governos estão previstas antes do prazo final de 15 de julho.
A investigação conduzida pelo USTR analisa políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, meios eletrônicos de pagamento, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
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