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A pergunta de R$300 mil: pobre deveria ter o direito de votar?

O influenciador processado pelo MP/SP: ideias proibidas. (Foto: Reprodução)

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Um influenciador está sendo processado pelo Ministério Público de São Paulo, que quer R$300 mil de indenização do sujeito. Agora me pergunta qual foi o crime que ele cometeu. Vai, pergunta se foi crime-crime ou “crime”. Claro que foi “crime”. Parece que alguém no MP/SP não é muito chegado numa liberdadezinha de expressão. A não ser que seja para defender as ideias já vigentes. Pô, MP/SP, mas se for para todo mundo concordar, qual é a graça? Afinal, uma opinião pode ser defensável ou rejeitável, mas não condenável. Muito menos censurável e indenizável.

Pois então. Para o MP/SP, um tal de Leonardo Marcondes deu uma de Caco Antibes e cometeu o terrível crime de “aporofobia”. Peraí que eu vou consultar aqui qual o artigo do Código Penal. Nada. Deixe-me dar uma olhada na Constituição. Nada de novo. Que puxa. Aporofobia, para você que é pobre de vocabulário e não sabe, é a aversão/ódio a pobre. E como o Léo (parece que alguém no MP/.SP não gosta muito dos Léos deste mundo) cometeu este “crime”? Repetindo uma ideia tão antiga quanto a da própria democracia: a de que pobre não deveria poder votar.

Plutofobia

Se eu concordo com o influenciador? Sim e não. Depende do dia. Quando associo a pobreza à ignorância extrema e à dependência do Estado, fica difícil. Tipo quando a gente vê um sujeito fumando crack na rua ou um daqueles vídeos de pobre se orgulhando da sua ociosidade recompensada com a esmola estatal e pensa que o voto deles tem o mesmo valor que o nosso. É complicado. É quando a convicção de que, numa democracia, o voto universal é inegociável dá uma balançada. Mas aí é que está. Falas como a do influenciador servem inclusive para reafirmamos essas nossas convicções. Por que o MP/SP prefere o autoritário e ineficiente cala-boca?

Pergunto isso porque, da mesma forma que tem vezes em que me questiono, tem dias em que, para mim, o conceito de pobreza se alarga e se enobrece a tal ponto que chega a me dar vontade de expressar toda a minha… plutofobia. Posso? É quando me lembro de uns ricos tão pobres que a única coisa que eles têm é dinheiro. E mais ainda quando me lembro de gente que é pobre só nos sinais externos, mas que por dentro tem um coração adornado com o mais luxuoso dos bens: o amor. Por coincidência, é nessas horas que passo a buscar essa que é a mais rica das pobrezas, diante da qual a questão sobre direito ou não a voto perde todo o sentido. Ah, MP/SP, como queria que vocês entendessem. Como queria!…

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