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Como a Suíça pretende transformar trilhos de trem em usinas de energia solar?

A startup suíça Sun-Ways iniciou um projeto piloto em Buttes para instalar painéis solares removíveis entre os trilhos de ferrovias ativas. A iniciativa busca gerar energia limpa aproveitando infraestruturas existentes, sem ocupar novas áreas naturais ou agrícolas.

Como funcionam os painéis solares instalados nas ferrovias?

Os painéis são módulos fotovoltaicos — placas que convertem a luz do sol em eletricidade — projetados para serem encaixados diretamente entre os trilhos, sobre os dormentes (aquelas vigas de madeira ou concreto que seguram os trilhos). O grande diferencial é que eles são removíveis. Uma máquina especial consegue instalar ou retirar grandes quantidades de módulos rapidamente, o que garante que a manutenção dos trilhos não seja prejudicada.

Qual é a capacidade de geração de energia desse sistema?

No trecho de teste de 100 metros, os 48 painéis instalados podem gerar cerca de 16 mil quilowatts-hora por ano, o suficiente para abastecer até seis casas. A empresa estima que, se toda a malha ferroviária da Suíça fosse adaptada, seria possível produzir cerca de 1 bilhão de quilowatts-hora anualmente. Isso atenderia a 2% de todo o consumo elétrico do país, equivalente ao gasto de 300 mil residências.

Os painéis solares nos trilhos atrapalham a visão dos maquinistas?

Não. Para garantir a segurança, as placas possuem um revestimento antirreflexo, evitando que o brilho do sol ofusque a visão de quem conduz o trem. Além disso, os equipamentos foram fabricados com tecnologia para resistir à pressão e às fortes vibrações causadas pela passagem constante de trens de carga e passageiros, evitando que apareçam microfissuras que poderiam quebrar o material.

Como é feita a limpeza das placas solares no meio da ferrovia?

A manutenção é feita de forma automatizada e criativa. Escovas especiais são instaladas na parte de baixo dos trens que já circulam pela linha. Enquanto o trem viaja, essas escovas passam sobre os painéis, removendo poeira, resíduos de óleo e outras sujeiras que poderiam impedir a absorção da luz solar e diminuir a eficiência da produção de energia.

Quais são os principais desafios para o projeto avançar?

O maior desafio é técnico e de segurança. Os painéis ficam expostos a condições extremas, como neve, gelo e partículas de metal geradas pelos próprios trens. Por isso, as autoridades suíças liberaram o projeto como um experimento controlado. O teste, que inicialmente duraria seis meses, foi estendido para três anos. Esse tempo servirá para observar como o material reage ao desgaste natural e se o custo de retirar os painéis para consertar a via vale a pena financeiramente.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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