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Líder opositora diz que chavismo fechou espaço aéreo da Venezuela para impedir seu retorno

A líder opositora María Corina Machado disse em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (29) que o regime chavista fechou o espaço aéreo comercial da Venezuela para tentar impedir seu retorno ao país em meio à tragédia causada pelos terremotos da última quarta-feira (24).

Na gravação, María Corina afirmou estar na Cidade do Panamá, de onde pretendia viajar para a Venezuela. Segundo ela, a volta ao país se tornou “inadiável” após os tremores que já deixaram mais de 1,7 mil mortos, milhares de feridos e mais de 15 mil desabrigados.

“O regime fechou o espaço aéreo do nosso país para tentar me impedir [de voltar]”, disse a opositora. Ela afirmou que quer retornar à Venezuela para acompanhar a população “na busca, no consolo e no abraço” após a catástrofe.

María Corina acusou o chavismo de tentar bloquear não apenas sua entrada no país, mas também a atuação de venezuelanos que distribuem alimentos e remédios, a chegada de equipes internacionais de resgate e o trabalho de jornalistas que buscam informações sobre a tragédia.

“A ocultação da informação e a manipulação nestas situações produzem ainda mais vítimas”, afirmou. “Eles tentam esconder a verdade enquanto os venezuelanos querem apenas enterrar seus mortos com dignidade.”

Segundo a líder opositora, para impedir seu retorno, o regime chegou ao extremo de fechar o espaço aéreo e cancelar voos de companhias aéreas durante uma emergência nacional. Ela disse que a medida precisou ser revertida, mas afirmou que pessoas dispostas a facilitar seu retorno ao país foram ameaçadas.

Apesar da dificuldade gerada pelo chavismo, María Corina declarou que pretende voltar ao país para ajudar na coordenação de esforços durante a emergência e na reconstrução da Venezuela.

“Estou disposta a fazer o que for preciso, falar com quem for preciso, para coordenar e para servir o nosso povo”, afirmou.

Nos últimos dias, em entrevista à Fox News, a opositora disse que considera seu “dever” estar com o povo venezuelano neste momento. María Corina afirmou que a prioridade agora deve ser salvar vidas, consolar as famílias e ajudar os atingidos pelos terremotos.

De acordo com o jornal The New York Times, autoridades americanas disseram estar frustradas com pedidos feitos pela opositora para facilitar seu retorno neste momento, quando Washington e outros países concentram esforços no envio de ajuda humanitária à Venezuela.

Segundo o jornal americano, duas autoridades da Casa Branca afirmaram que o pedido foi considerado inoportuno, e uma delas classificou a iniciativa como uma “manobra política”. Conforme a publicação, o governo dos Estados Unidos apoia o desejo de María Corina de voltar ao país, mas não quer que a viagem ocorra imediatamente por preocupação com sua segurança e com a resposta à emergência.

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram principalmente a zona costeira ao norte da Venezuela. La Guaira, uma das áreas mais afetadas, foi declarada zona de desastre pelo regime chavista e passou a ter controle militar.

O regime venezuelano suspendeu nesta segunda por 48 horas o traslado de jornalistas em ônibus para La Guaira. A medida foi informada à agência EFE por uma fonte próxima ao Ministério da Comunicação, que alegou “recomendação sanitária” e necessidade de silêncio nas próximas horas de resgate.

A suspensão foi criticada pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela. Em publicação no X, a entidade afirmou que impedir a cobertura em campo “não resolve a emergência” e disse que o país precisa de informação verificada e oportuna, especialmente para as famílias das vítimas.

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