O senador Jaques Wagner (PT-BA) subiu o tom contra a atuação da Polícia Federal (PF) na operação de que foi alvo, classificando a divulgação de fotos de dinheiro apreendido como uma “patacoada” e uma tentativa de reeditar métodos da Operação Lava Jato.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, divulgada nesta sexta-feira (26), ele revelou ter levado sua insatisfação diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 18.
Durante a operação, a PF apreendeu US$ 55 mil e € 33 mil em espécie e relógios de luxo em endereços ligados a Wagner em Brasília e em Salvador. A corporação divulgou uma foto do dinheiro encontrado após a operação.
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“A ordem do André Mendonça fala explicitamente para não ter fotografias. Eles foram ao quarto de hotel onde eu moro, botaram lá em cima da cama [notas de dólares e euros] com o escudinho [da PF] e fotografaram. Estão desrespeitando ordem de juiz e reinventando a Lava Jato”, disse Wagner.
A defesa sustenta que os valores “têm origem lícita e comprovada”. O senador justificou que o dinheiro era proveniente de economias das diárias recebidas do Senado e do período em que foi governador.
Imagem do dinheiro apreendido pela PF em endereços ligados ao senador. (Foto: divulgação/Polícia Federal)
Sobre sua saída da liderança do governo, Wagner explicou que a decisão foi tomada após uma conversa pessoal com Lula na última quarta-feira (24). Embora inicialmente resistisse ao afastamento para não transmitir uma ideia de culpa, o senador aceitou o conselho do presidente de que seria difícil conciliar sua defesa com a articulação política no Senado.
Senador admite relação com ex-sócio do Master, mas nega troca de favores
Questionado sobre suas ligações com executivos ligados ao Banco Master, Wagner admitiu ter uma relação com o empresário Augusto Lima, mas negou qualquer “relação de troca” ou favorecimento ilícito.
“Conheci Augusto Lima no processo de privatização [do Cesta do Povo]. Criou-se uma relação. Sei que muita gente tem consultorias espalhadas pelo país. Eu poderia ter uma consultoria, não poderia? Não tenho. A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa”, relatou.
Jaques Wagner minimiza caronas e ingressos: “Poderia pedir coisa mais importante”
Ele minimizou episódios como o recebimento de ingressos para um show da cantora Taylor Swift para sua neta e o fato de ter pegado caronas em aviões de empresários. “Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?”, disse.
“Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona? Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento”, acrescentou.
Wagner afirmou ainda que, ao contrário do que sugere a investigação, ele atuou de forma contrária aos interesses do Banco Master no governo. Para ele, a investigação tenta construir uma narrativa para atingir o PT e favorecer discursos da oposição, como os da família Bolsonaro.
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Ex-líder diz que contrato do Master com empresa da nora foi maior
O senador também afirmou que os valores pagos pelo Banco Master à empresa de sua nora são superiores aos R$ 3,5 milhões inicialmente divulgados pela PF, mas assegurou que os pagamentos são lícitos e baseados em contratos reais.
“Tomei um susto [com o valor] porque não é pouca coisa, é muita coisa. Mas repare: é muita coisa legalmente, tem contrato. Aliás, os meninos dizem que não pagaram nem o que deveriam ter pago a eles, tá? Quando viram um volume que ia crescendo muito, mudaram o tipo de contrato. Mas eu prefiro que o advogado explique”, disse Wagner à Folha.
“O gozado é que se apegam aos R$ 3,5 [milhões], que foi o rompimento. Mas eles antes disso, mês a mês, eles ganhavam. Não sei quando deu no total, mas foi uma grana boa”, destacou.
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