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Marcon: o preço no mercado é o que pode derrubar Lula

O deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

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Economista, o deputado Maurício Marcon (PL-RS) afirma que o cenário político atual está diretamente condicionado pela situação da economia brasileira. Segundo ele, indicadores como déficit público elevado, juros altos e inflação pressionada ajudam a explicar a leitura de curto prazo sobre o ambiente eleitoral.

O parlamentar sustenta que o país enfrenta uma deterioração das contas públicas e alerta para o impacto do endividamento das famílias e do custo do crédito no cotidiano da população. Marcon alerta que, se as eleições fossem hoje, provavelmente Lula seria eleito, mas aponta que os fatores econômicos serão determinantes na forma como o eleitorado vai avaliar o governo nos próximos meses. Para o deputado, a questão da economia pode ser o trunfo da oposição em 2026, já que o combate à corrupção, segundo ele, perdeu força. Nas palavras do parlamentar, “todo mundo já sabe que Lula é corrupto”.

Entrelinhas: Deputado, o senhor afirma que, se a eleição presidencial fosse hoje, o presidente Lula venceria. Por que faz essa avaliação?

Marcon: Neste momento, se a eleição fosse hoje, eu acho que o Lula venceria a eleição. Não adianta a gente enganar o público.

O que a gente tem é mais três meses e meio até a eleição, pelo menos o primeiro turno, e tudo pode mudar. A gente tem que lembrar que, antes das tarifas americanas, por exemplo, o Lula era considerado carta fora do baralho. Depois também daquele desfile de carnaval, em que ele atacou os cristãos, teve uma queda muito grande. E depois houve ocasiões em que conseguiu se reerguer.

Entrelinhas: O que pode pesar mais para mudar esse cenário até a eleição?

Marcon: Tem muito tempo pela frente. A crise está chegando. As pessoas que vão ao supermercado começam a perceber que o dinheiro não vale mais nada.

O que a gente tem daqui para frente é uma inflação galopante. Pela décima quinta semana, o relatório do Boletim Focus trouxe aumento na expectativa inflacionária. O Banco Central soltou a ata da última reunião da taxa Selic e ela foi um desastre completo, o que provocou que os juros subissem mais uma vez.

Entrelinhas: É um dos piores cenários dos últimos anos?

Marcon: O Brasil hoje vive uma situação pior do que em 2015. No pior momento da Dilma e do país, a taxa de juros paga para rolar a dívida era de 7,8% mais a inflação. Hoje ela já está em quase 9%.

O que a gente tem pela frente é muito grave. O governo vendeu esperança para o povo, de que tudo estava ficando muito bom, mas a realidade é que quem vai ao supermercado e começa a ver economia com os olhos de um economista sabe que a situação é muito desafiadora.

Cabe a nós, como povo brasileiro, entender se vamos prolongar esse desastre por mais quatro anos ou se realmente vamos trabalhar para ter uma porta de esperança. Se houver mais quatro anos de PT, vai sobrar muito pouco do país que a gente já conheceu.

Entrelinhas: O senhor acredita que a economia será o principal fator para definir a eleição?

Marcon: Sinceramente, o que define o voto, no meu ponto de vista, é o preço no mercado próximo da eleição.

Eu acho que esse eleitor independente entende que a economia é o divisor de águas. E o que a gente tem de perspectiva é bastante negativo para o Lula nesse sentido.

Por mais que a gente tenha tarifas americanas, desfile de carnaval, tenha o filho envolvido com o INSS, tudo isso desgasta, mas eu não vejo que seja definitivo.

Quando as pessoas não conseguem mais comprar comida ou fechar as contas do mês, elas começam a perceber que a coisa está despirocando, digamos assim. A gente tem hoje 82% das famílias endividadas.

Entrelinhas: Qual deve ser a estratégia do governo Lula para abafar essa realidade?O governo lançou o Desenrola 1.0. Naquela época, tinha cerca de sessenta e poucos por cento das famílias endividadas. Não deu certo. Lançou o Desenrola 2.0 e, semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que vai ter mais um Desenrola.Marcon:

Então, o que o governo faz? Sabendo que a economia define a eleição, ele tenta criar uma cortina de fumaça na cabeça das pessoas, para elas acharem que não estão mais endividadas, que conseguiram renegociar e que a vida ficou mais tranquila. Só que é óbvio que isso vai explodir lá na frente.

Cabe a gente saber se a crise que, em 2014, não conseguiu impedir o segundo mandato da Dilma vai conseguir impedir o quarto mandato do Lula.

Entrelinhas: A conta do Lula 3 vai chegar?

Marcon: Uma crise sem precedentes vai chegar. Os números da economia mostram isso. O Brasil, entre 14 países da América comparados, é o que vai ter o menor crescimento. Nós pagamos a maior taxa de juros vinculada à inflação. Então, não tem como dar certo.

Qualquer economista médio, como eu, sabe que um problema grave está se aproximando. A gente teve a Bolsa voltando a cair, o dólar voltando a subir. As vendas do varejo vieram com uma queda mais que o dobro do esperado.

Então, a crise vai acontecer. Cabe saber se ela vai chegar ao preço dos alimentos e ao bolso do trabalhador a tempo de ele perceber o que está acontecendo no país.

Entrelinhas: Em contrapartida, quais fatos devem ser destacados pela oposição, contra o governo, sobre a atual economia?

Marcon: Lula destruiu o fiscal brasileiro. Para vocês terem uma ideia, o déficit nominal brasileiro passa de R$ 1 trilhão. Ou seja, o Brasil hoje gasta mais do que arrecada em mais de R$ 1 trilhão.

Esse déficit nominal está se aproximando de 10%. Para a gente ter um comparativo, as agências de risco consideram que, para um país como o Brasil, esse déficit deveria ser de, no máximo, 3,5%.

Nós somos o país que menos vai crescer na América. A gente tem uma perspectiva de inflação muito alta. E é tudo por causa da próxima eleição. O importante é vencer a próxima eleição; depois, a bomba fica para as próximas gerações.

Enquanto a gente não tiver um projeto de país — inclusive pelos parlamentares da oposição — nós vamos perder a eleição. A gente tem que falar a verdade para as pessoas. Mentir para as pessoas já tem a esquerda. Se é para mentir para as pessoas, a gente vota na esquerda. Eu sou sempre adepto da verdade.

Entrelinhas: O senhor costuma dizer que a política brasileira pensa muito no curto prazo. O que precisa mudar?

Marcon: Em primeiro lugar, eleger pessoas comprometidas com o país, e não com a próxima eleição.

A gente teve agora, no meu ponto de vista, uma votação constrangedora de alguns colegas na questão da escala 6 por 1. A gente tem que falar a verdade para as pessoas. Não é através de uma legislação que a gente vai fazer o povo ganhar mais dinheiro.

É através de eficiência, através de menos impostos, através de copiar o que deu certo no mundo. Por isso eu apresentei, por exemplo, a minha PEC nº 40, depois convertida, no Senado, na PEC nº 12, sobre a questão das horas trabalhadas.

Eu acho que muitos políticos se preocupam muito mais com a próxima eleição do que propriamente com a próxima geração. É basicamente isso que o Lula está fazendo neste momento.

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