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Erika Hilton denuncia ter menos estrutura que Manuela no PSOL: “privilégio branco e cis”

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) fez queixas públicas ao próprio partido. Dizendo-se “chocada e decepcionada”, a parlamentar reclamou do descumprimento de acordos, em especial de ser menos prestigiada em sua campanha para se reeleger que a ex-presidenciável Manuela D’Ávila, que recém chegou à legenda.

“Sou uma deputada negra e travesti. Para viajar São Paulo, maior estado do país, puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo. (…) É um absurdo que a direção partidária feche os olhos (…) Hoje, Juliano Medeiros @julianopsol, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. @ManuelaDavila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro”, escreveu ela em sua conta no X.

Privilégio branco e cis

Mais adiante, a parlamentar chama isso de “privilégio”, usando o vocabulário woke que é caro ao grupo político. “Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe”, completou Erika. Ela não entrou em detalhes sobre que acordos o partido teria descumprido.

Manuela é a principal aposta do PSOL para crescer em 2027. O jovem PSOL não tem um senador há mais de dez anos, desde que Randolfe Rodrigues deixou os socialistas pela Rede Sustentabilidade.

O PSOL foi fundado em 2004 e tem 13 das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, um número que precisa ser mantido ou aumentar nas eleições de outubro para o partido não cair na cláusula de barreira.

Erika alega ter mantido sua filiação para ajudar o partido e fez uma cobrança forte neste sentido. “Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra”, concluiu.

Em março, a deputada Erika Hilton foi parte de uma parcela do PSOL que acabou frustrada pela decisão do partido de não fazer uma federação junto ao PT. Agora, ela cobra a legenda por seu apoio na época.

Confira a íntegra da nota de Erika:

Simplesmente chocada e decepcionada.

Pra mim, vocês sabem, a política real se faz nas ruas, nas redes, com transparência, papo reto e propósito. Não se faz escondendo os problemas debaixo do tapete ou com tentativas de sabotagem.

Eu e muitas lideranças decidimos ficar no @PSOL50 para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, porque nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade. Mas, para isso, o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando.

Tenho um orgulho imenso de ter ajudado a levar a luta pelo fim da escala 6×1 para o Brasil inteiro. As ruas estão do nosso lado. Mas fazer campanha no nosso país não é igual para todos. Sou uma deputada negra e travesti. Para viajar São Paulo, maior estado do país, puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo. Nossos corpos correm riscos que a burocracia do partido não pode simplesmente ignorar, com o risco de inviabilizar nossa pré candidatura à reeleição, rebaixar o máximo potencial dos nossos votos… e colocar em risco nossa integridade física.

É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros@julianopsol, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. @ManuelaDavila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL.

Tanto é assim que, comandado por @PaulaCoradi, presidenta nacional, o PSOL simplesmente desmontou a sua política nacional de inclusão que garantia repasses nacionais justos com ajustes por gênero, raça e para pessoas com deficiência (PCD), exatamente no momento em que o próprio Tribunal Eleitoral reconhece a importância histórica e a necessidade dessa política. É um retrocesso inaceitável.

E não é só comigo. No Rio de Janeiro, lideranças gigantes e populares como @RenataSouzaRii e @RickAzzevedo sofrem do mesmo mal. Igualmente @CarlosGiannazi em SP. O partido ignorou e subestimou o Rick na última eleição, ele foi para a rua, foi o mais votado, enquanto o PSOL encolheu, em grande parte pela má distribuição dos seus recursos sob critério que são políticos. E agora o PSOL está prestes a repetir exatamente o mesmo erro com ele!

Ninguém quer tirar o básico ou negar importância de quem está nas suas primeiras campanhas. O que não podemos aceitar é a falta de transparência e o suicídio político de sufocar quem tem a força popular para garantir a sobrevivência do partido. Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra.

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