VILLA NEWS

Aldo Rebelo conta os bastidores de sua expulsão e reintegração ao DC pela Justiça

Ex-deputado e ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Aldo Rebelo disse, em entrevista à Gazeta do Povo, que foi pego de surpresa com a notícia de que o pré-candidato à Presidência da República pelo partido dele, o Democrata Cristão (DC), seria o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, ao invés dele próprio. Rebelo chegou a lançar a pré-candidatura no mês de janeiro.

Rebelo falou sobre como recebeu a notícia e por que entrou na Justiça para reaver o que vê como direito à disputa em convenção partidária. Do outro lado, o presidente nacional do DC, João Caldas, também em entrevista à Gazeta do Povo, rebateu e disse que não houve convite do partido para Aldo Rebelo ser pré-candidato.

Ainda de acordo com Caldas, foi o ex-ministro quem procurou o partido, sendo levado por Cândido Vaccarezza, presidente estadual do DC em São Paulo. Caldas afirmou, também, que a pré-candidatura de Joaquim Barbosa está assinada “por 100% do diretório” e diz que o ex-ministro do STF será aclamado na convenção partidária por unanimidade.

“Temos todos os motivos para escolhê-lo. Ele tem visibilidade, é o candidato que esse momento do Brasil precisa: alguém com um perfil conciliador e preparado para esse momento”, afirmou Caldas.

VEJA TAMBÉM:

Confira a entrevista com Aldo Rebelo

Como o senhor recebeu a notícia sobre a sua expulsão da sigla?

Recebi a notícia porque foi minha reação ao presidente do partido, quando ele anunciou a (pré) candidatura com o Joaquim Barbosa sem falar comigo antes. Reagi dizendo que ia disputar a pré-convenção, fui à Justiça, e a Justiça naturalmente reverteu tudo isso e revogou essa arbitrariedade. Prossigo na pré-campanha normalmente, faço minhas entrevistas, minhas viagens.

Como se dará essa escolha entre o senhor e o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa?
Pelas regras da legislação eleitoral, em uma convenção, no fim de julho, início de agosto.

Você vê como é que são esses partidos por aí afora. Em todos eles, essas pré-candidaturas estão reunidas, mas tem gente ainda pensando que os nomes podem ser substituídos.

Aldo Rebelo, ex-ministro e pré-candidato à Presidência

O senhor chegou a falar com o presidente do partido depois dessa decisão da Justiça?

Não, mas as pessoas do partido têm conversado sobre isso.

O partido está dividido?

O partido sempre tem opiniões diferentes. Você vê como é que são esses partidos por aí afora. Em todos eles, essas pré-candidaturas estão todas reunidas, mas tem gente ainda pensando que os nomes podem ser substituídos. O único que não tem problema algum é o Lula. Todos os outros têm cogitações. O Romeu Zema, o Flávio Bolsonaro. Na política, isso acontece.

Estranho ele escolher outro nome e não falar com o senhor.

Quem vive na política sabe que essas coisas acontecem.

Talvez ele não esperava que o senhor fosse entrar na Justiça?
Como não esperar? Claro que sempre há o recurso da Justiça, quando algum direito que você acha que tem é violado. Porque uma filiação é um contrato, você se filia ao partido, há obrigações, mas também direitos. Entre eles, o de disputar uma eleição e de pleitear na convenção. A convenção pode autorizar ou não. E, no caso do DC, eu fui convidado especificamente para ser candidato, isso é público, foi registrado pela imprensa.

Quem convidou o senhor, especificamente?
O próprio presidente do partido. E, agora, estou me dedicando a fazer minha pré-campanha, estou embarcando agora para Rondônia (no momento em que a entrevista foi feita), vou fazer uma palestra, faço minhas entrevistas, essa semana fui a vários podcasts falar sobre o Brasil, sobre o que é importante no presente momento e que está sendo pouco discutido.

O senhor tem ideia do motivo pelo qual foi anunciada a pré-candidatura de Joaquim Barbosa? Há algum motivo não declarado?
Não, pelo menos que eu saiba.

O senhor teve algum desentendimento com o presidente do partido?
Não houve nenhum desentendimento, pelo contrário. Houve o convite da parte dele, houve o pré-lançamento da candidatura aqui em São Paulo e depois veio, pelos jornais, a notícia desse convite ao Joaquim Barbosa. E o que eu penso é que nós deveríamos resolver isso numa convenção. O Joaquim Barbosa discutir os temas que são importantes para o país, já que há uma outra pré-candidatura.

Qual é a relação do senhor com a cúpula do DC?
São boas. O presidente do partido aqui no estado, ex-líder do PT, do governo, que é o Cândido Vaccarezza, quem também fez um esforço para eu me filiar e disputar a eleição pelo DC. Então, são relações muito boas com o partido.

O que o senhor espera do partido daqui para frente?
Que faça a convenção e que na convenção escolha-se o candidato e que todos respeitem a decisão partidária. Esse é o caminho natural, normal e menos polêmico. A convenção decide e todos deveriam respeitar.

O senhor acha que o partido enfraqueceu com a mudança de presidência, com o João Caldas assumindo o lugar do fundador, João Maria Eymael?
Não. É um partido com muitas limitações, não tem bancada, não tem fundo partidário, mas de qualquer jeito o partido estava ocupando um espaço nesse momento, com a disputa eleitoral, porque tinha capacidade de participar do debate com a minha pré-candidatura.

Pesquisas eleitorais recentes* apontam que o senhor está com uma porcentagem de intenção de voto baixa. Como o senhor analisa isso?
É porque a campanha nem começou. Só quem tem desempenho alto é o Lula e o Bolsonaro, os outros estão de fato vivendo muita dificuldade, mas isso é por causa do momento da eleição. As pessoas não estão preocupadas com as eleições e, se não estão preocupadas, naturalmente os nomes mais conhecidos são os que atraem as preferências. Isso ainda pode mudar.

O senhor está viajando com recursos do partido?
Não. O partido não tem dado recurso nenhum. Eu viajo com os meus recursos ou com recursos de quem me convida que é o que geralmente acontece.

*Aldo Rebelo apareceu com 0% na pesquisa de intenção de voto à Presidência da República realizada pelo instituto Gerp e divulgada no último dia 6; com 1% na Datafolha de 22 de maio e, novamente, com 1% no levantamento do Real Time Big Data do último dia 1º. Pesquisas mais recentes e divulgadas após o anúncio do DC sobre o Joaquim Barbosa, como Nexus/BTG Pactual, não trazem o nome de Rebelo.

Metodologia das pesquisas citadas acima:

  • Gerp: entrevista com 2.000 pessoas entre os dias 2 e 5 de junho de 2026. A margem de erro é de 2,24 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pela própria Gerp Mercadologia Ltda. O nível de confiança é de 95,55%. Registro no TSE nº BR-01792/2026.
  • Real Time Big Data: a pesquisa ouviu 2.000 pessoas nos dias 29 e 30 de maio. A pesquisa para presidente da República foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-05864/2026.
  • Datafolha: 2.004 entrevistados pelo Datafolha entre os dias 20 e 21 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-07489/2026.
  • Nexus/BTG Pactual: 2.017 entrevistados pelo instituto Nexus entre os dias 12 e 14 de junho de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-06645/2026.

VEJA TAMBÉM:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *