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PGE se manifesta contra suspensão de pesquisa que ligou Flávio a Vorcaro

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) se manifestou nesta segunda-feira (22) contra a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, que suspendeu a pesquisa do Instituto AtlasIntel (BR-06939/2026) por associar o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A AtlasIntel apresentou aos entrevistados o áudio atribuído ao senador, divulgado pelo site The Intercept Brasil, no qual ele cobra Vorcaro sobre o financiamento prometido ao filme “Dark Horse”.

O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, considerou que não há elementos que justifiquem a suspensão. A manifestação da PGE foi revelada pelo portal g1.

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O TSE começou a julgar a liminar de Nunes Marques no último dia 9, mas o referendo foi adiado por um pedido de vista (mais tempo para análise) da ministra Estela Aranha.

Para a Procuradoria, a Justiça Eleitoral não pode interferir nos temas apresentados pelos institutos de pesquisa, exceto “quando demonstrada a quebra objetiva do dever de equidistância e imparcialidade no levantamento científico”.

Espinosa destacou que “não pode haver restrição jurisdicional com base em mera insatisfação com o teor das perguntas deduzidas ou discordância com o critério metodológico regularmente adotado”.  

O Diretório Nacional do PL afirmou que o instituto teria manipulado a opinião dos entrevistados para prejudicar a imagem de Flávio. Segundo o partido, a pesquisa utilizou “estímulos narrativos” negativos antes das perguntas sobre intenção de voto.

A PGE apontou que não ficou comprovada a manipulação. “É fato público e notório que o próprio pré-candidato envolvido no diálogo que é objeto de crítica do representante sequer negou a veracidade dos fatos, o que depõe contra a tese de quebra de cadeia de custódia”, destacou.

Ao analisar o pedido, o ministro destacou que as pesquisas eleitorais são instrumentos “poderosos” que podem influenciar a legitimidade do pleito e a “paridade de armas” entre candidatos.

Nunes Marques considerou que a sequência de perguntas parece extrapolar a neutralidade estatística para introduzir estímulos que podem “contaminar” as respostas subsequentes. Na liminar, o relator proibiu a empresa de promover e manter a pesquisa em canais oficiais.

Defesa da AtlasIntel

Em sua defesa ao longo do processo, a AtlasIntel argumentou que o questionário respeitou sua autonomia metodológica e que os quesitos visavam apenas aferir a percepção do eleitor sobre fatos públicos amplamente divulgados pela imprensa.

A empresa sustentou ainda que o uso de componentes audiovisuais ocorria apenas após a colheita da intenção de voto, o que impediria a indução dos resultados principais.

Em nota divulgada após a liminar, a AtlasIntel defendeu a pesquisa e disse que “a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”.

Como foi feita a pesquisa AtlasIntel 

Após as perguntas sobre as intenções de voto para presidente, a AtlasIntel questionou os entrevistados se ficaram sabendo sobre o áudio, se ouviram a gravação e suas percepções sobre o episódio. O tema é tratado nas perguntas 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19.

Depois disso, o levantamento questionou os participantes sobre os maiores problemas do Brasil, decisões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avaliação de políticos, temas sociais, entre outros. O áudio é apresentado para avaliação dos entrevistados como o último item do questionário (item 48).

A AtlasIntel ouviu 5.032 pessoas por meio de formulário eletrônico entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-06939/2026.

O que diz o áudio atribuído a Flávio

O Intercept teve acesso a mensagens de Vorcaro com diversos interlocutores que abrangem um período de dezembro de 2024 a novembro de 2025. Diversos celulares do banqueiro são analisados pela Polícia Federal. O site ressaltou que as informações contidas nos diálogos foram cruzadas com dados públicos e sigilosos.

No dia 8 de setembro de 2025, Flávio teria dito em um áudio que, apesar de saber que Vorcaro estava “passando por um momento dificílimo” em razão dessa “confusão toda”, precisava cobrá-lo sobre o financiamento prometido para o filme sobre Bolsonaro.

Cinco dias antes, o Banco Central havia rejeitado a compra do Banco Master pelo BRB. Na mensagem, o senador relata que tinha “muita conta para pagar”. Veja abaixo a íntegra do áudio atribuído ao presidenciável do PL:

“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui para frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, não, né? Se você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo.

E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim, não é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?

Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, no num Cyrus [Nowrasteh], os caras, pô, renomadíssimos lá no no cinema americano mundial, pô, ia ser muito ruim, né? Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter um efeito elevado a menos. Aí, cara, tá?

Então, se você puder dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que que faz, cara, da vida, porque um tem muita, já tem muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, perde contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Podemos dar um toque aí, irmão? Desculpa o áudio longo aí, tá? Um abração. Fica com Deus, cara.”

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