A vitória do candidato de direita Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia fortaleceu ainda mais o bloco de governos de direita e centro-direita na América Latina.
Com a saída do atual presidente de esquerda Gustavo Petro e a chegada de Espriella ao poder (a posse deve ocorrer em agosto), a Colômbia deixará oficialmente o grupo de governos alinhados à esquerda e passará a integrar o bloco de países governados por lideranças conservadoras ou de centro-direita na região.
A mudança tem peso político relevante. A Colômbia é a quarta maior economia da América Latina, possui uma das maiores populações da região e historicamente desempenha papel importante em temas de segurança, combate ao narcotráfico, integração regional e relações com os Estados Unidos.
Atualmente, o bloco de governos de direita ou centro-direita na América Latina inclui a Argentina, governada por Javier Milei; Chile, sob José Antonio Kast; Bolívia, liderada por Rodrigo Paz; Equador, sob o comando de Daniel Noboa; Paraguai, governado por Santiago Peña; El Salvador, comandado por Nayib Bukele; Panamá, sob a presidência de José Raúl Mulino; Costa Rica, liderada por Laura Fernández; Honduras, governada por Nasry Asfura; e República Dominicana, sob Luis Abinader. Com a eleição de Abelardo de la Espriella, a Colômbia passa a integrar esse grupo.
A possível vitória de Keiko Fujimori no Peru pode ampliar ainda mais esse grupo. Caso a candidata confirme a liderança observada durante a atual apuração, o Peru passará a integrar o grupo de governos de direita, consolidando uma maioria conservadora entre as principais economias latino-americanas.
Já o bloco de esquerda ou centro-esquerda reúne atualmente Brasil, governado por Luiz Inácio Lula da Silva; México, sob Claudia Sheinbaum; Guatemala, liderada por Bernardo Arévalo; Uruguai, governado por Yamandú Orsi; Suriname, sob Chan Santokhi; Guiana, governada por Irfaan Ali; além de Cuba, Nicarágua e Venezuela, comandadas respectivamente pelos ditadores Miguel Díaz-Canel, Daniel Ortega e Delcy Rodríguez. O Haiti, atualmente administrado por um conselho de transição liderado por Edgard Leblanc Fils, também costuma ser incluído nesse grupo em análises regionais.
Veja como fica a divisão política da América Latina após a eleição na Colômbia:

A nova configuração marca uma mudança em relação ao ciclo político anterior, quando a esquerda havia avançado em países como Brasil, México, Colômbia, Chile e Honduras. Nos últimos anos, porém, a insatisfação com a segurança pública, a economia e o desgaste de governos progressistas abriu espaço para candidatos conservadores.
A eleição de Espriella neste domingo reforça esse movimento. Durante a campanha, o colombiano defendeu uma agenda de endurecimento contra o crime organizado, críticas aos acordos com guerrilhas feitos por Petro e aproximação com líderes de direita da região. O conservador chegou a ser comparado ao presidente Milei, que também foi fruto da insatisfação argentina com o peronismo, por seu discurso econômico liberal, e a Nayib Bukele, de El Salvador, pela defesa de medidas duras na segurança pública da Colômbia.
Se Keiko vencer a sua disputa contra a esquerda, a direita passaria a controlar Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Bolívia e possivelmente Peru, ampliando sua presença na América do Sul.
Apesar desse avanço, a esquerda ainda mantém, pelo menos por enquanto, governos em países de grande peso regional, como Brasil e México, as duas maiores economias da América Latina.
A nova configuração política pode favorecer os planos do governo do presidente Donald Trump, dos EUA, para ampliar sua rede de aliados no continente. No começo deste mês, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o chamado Escudo das Américas, aliança regional criada por Washington para combater o crime organizado, o narcotráfico e o terrorismo, deveria crescer à medida que eleições mudassem governos em países da região.
Na ocasião, Rubio disse que mais de 14 países do hemisfério já haviam se comprometido a cooperar com os Estados Unidos em segurança e combate às drogas. Ele também afirmou esperar que esse número aumentasse nos meses seguintes.
Atualmente, o Escudo das Américas dos EUA tem a participação de países como Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá e Paraguai. A Colômbia ainda não integra formalmente a aliança, mas Abelardo de la Espriella já declarou que pretende aderir à iniciativa caso assuma a Presidência. No Brasil, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também afirmou recentemente que, se vencer a eleição deste ano, pretende integrar o país ao Escudo das Américas e ampliar a cooperação com os Estados Unidos nas áreas de segurança pública, combate ao narcotráfico e defesa.
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