O pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (18) que conta com a ajuda do mercado financeiro para sufocar as fintechs usadas pelo crime organizado, durante a apresentação do plano de segurança pública da pré-campanha à Presidência da República, na capital paulista.
“Quero pedir a unidade de todo o mercado financeiro, não apenas da Faria Lima, para asfixiarmos financeiramente essas organizações narcoterroristas. Isso prova que nosso plano de segurança pública não é focado apenas nas pessoas pobres, mas também nas que têm dinheiro”, disse Flávio na apresentação dos 12 itens do plano de segurança.
O evento foi realizado no teatro B32, no coração da avenida Faria Lima, em São Paulo. O local é conhecido pela escultura de uma grande baleia — whale, em inglês, termo usado para descrever investidores institucionais, fundos de investimento ou indivíduos de grandes fortunas.
A apresentação do plano de segurança pública do presidenciável do PL contou com a presença de aliados, entre eles o ex-ministro e pré-candidato ao governo do Paraná Sérgio Moro (PL-PR) e do ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP).
“Estamos aqui na Faria Lima e confiamos no mercado financeiro brasileiro. Temos certeza de que, juntos, podemos tirar de circulação essas fintechs de fachada e quem usa o sistema financeiro para lavar o dinheiro do crime organizado”, disse Derrite.
Cerca de 120 pessoas ocuparam o espaço, que comporta 300 sentadas ou 900 em pé. Eram jornalistas, integrantes e aliados do Partido Liberal e do Progressistas em São Paulo, ligados à pauta da segurança pública.
Evento de Flávio Bolsonaro ocorreu na Faria Lima; baleia remete ao termo <em>whale</em>, que em inglês se refere a investidores de grandes fortunas. (Foto: Luisa Purchio/Gazeta do Povo)
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Fintechs de fachada usadas pelo crime organizado foram alvo das operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto
O combate às fintechs usadas pelo crime organizado é o eixo da investigação que expôs a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro paulista.
A primeira delas, a Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 e classificada pelas autoridades como a maior ofensiva contra o crime organizado já realizada no país, revelou que a facção mantinha R$ 30 bilhões em cerca de 40 fundos de investimento sediados na Faria Lima.
De acordo com a Receita Federal, os recursos eram lavados por meio de fintechs, que operavam como “bancos paralelos”, e depois aplicados em fundos multimercado e imobiliários para ocultar os beneficiários finais.
A engrenagem se apoiava nas chamadas “contas-bolsão”, que reuniam recursos de diversos clientes em uma única conta e dificultavam o rastreamento das movimentações.
Uma das fintechs investigadas chegou a movimentar sozinha mais de R$ 46 bilhões em quatro anos, parte em depósitos em espécie. Meses após a ação, o Banco Central proibiu o modelo. Entre os alvos daquela fase estava a gestora Reag, mais tarde associada às fraudes do Banco Master e liquidada pela autoridade monetária.
A segunda fase, a Fluxo Oculto, deflagrada em maio deste ano, mostrou que a facção reorganizou sua estrutura financeira após a primeira ofensiva. De acordo com o Gaeco, o PCC passou de três para seis fintechs para diluir o fluxo de recursos em novas camadas.
As empresas teriam movimentado R$ 26 bilhões entre 2022 e 2024, e os investigadores rastrearam a transferência de R$ 4 bilhões das fintechs atingidas na primeira fase para as que se tornaram alvo da nova ofensiva.
O Ministério Público de São Paulo apontou que o esquema se apoiava em diferentes frentes. Além das contas-bolsão remanescentes, a facção teria aberto fintechs de fachada em nome de laranjas, algumas com capital social formado por títulos sem lastro.
O ponto considerado mais preocupante pelos investigadores é a convergência entre diferentes organizações criminosas dentro do mesmo sistema financeiro — as fintechs teriam se tornado, segundo a promotoria, um “duto do crime organizado”.
A Receita Federal informou que três das seis instituições não prestaram contas sobre os investimentos, enquanto outras três declararam cerca de R$ 8 bilhões movimentados em 2025, além de R$ 365 milhões em criptoativos suspeitos.
A apuração também avançou sobre os fundos ligados ao esquema. Quatro deles passaram a ser alvo direto, ao lado de duas administradoras de recursos e duas gestoras, com patrimônio estimado em R$ 205 milhões e crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano. Ao todo, a Fluxo Oculto cumpriu 55 mandados de busca e apreensão em cinco estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.
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