Ana Beatriz e o galho que a atingiu: quando é para acontecer, amigo” (Foto: Reprodução)
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Ana Beatriz Stubinsk tem 22 anos. Sábado passado (13), ela estava andando tranquilamente pelas barraquinhas da Feira de Inverno da Praça Osório, no centro de Curitiba. Digo, tão tranquilamente quanto se pode andar na praça cheia de nóias. Mas isso é assunto para outro dia. Ana Beatriz estava lá, entre quitutes juninos e artesanatos de pinhão. Sempre pinhão. Foi quando, de repente, um galho se desprendeu de uma das muitas árvores da praça e atingiu em cheio a jovem fonoaudióloga.
Pelas imagens do ocorrido, dá para ver que não era um galho qualquer. Era quase um tronco que, infelizmente, ninguém teve a curiosidade de medir e pesar. Tampouco se sabe a espécie da árvore – informação crucial que o noticiário infelizmente negligenciou, talvez por considerá-la um detalhe insignificante na tragédia. Tragédia? Sim, tragédia, porque Ana Beatriz acabou tendo o pulmão perfurado, além de sofrer uma lesão grave na coluna.
Culpados e notícias
Enquanto escrevo este texto, a moça tenta se submeter ao tratamento experimental com a polilaminina a fim de recuperar o movimento das pernas. Mas esta não é uma crônica sobre a eficácia ou não da molécula supostamente milagrosa (e tomara que seja mesmo!), e sim sobre a aleatoriedade da vida. Porque Ana Beatriz, veja só!, nem mora em Curitiba. Ela estava apenas visitando a cidade e a família quando o galho a atingiu em cheio, mudando para sempre uma vida que tinha tudo para ser normal.
Mas a crônica não é só sobre isso. Em sua autoimposta escassez de espaço, ela tenta ser também sobre nossa eterna busca por culpados quando nos deparamos com o inesperado. Quanto a isso, aliás, a prefeitura já se apressou em dizer que não tem nada com o acidente. A culpa é da Lei da Gravidade ou do Super El Niño, sei lá. Por fim, neste último suspiro a crônica tenta falar sobre a hierarquia da notícia. Sobre como o cotidiano perdeu espaço para as notícias abstratas. Lula e STF e tal. Como se fôssemos cidadãos todos os dias à procura de um galho que caia sobre nossas cabeças. E mude para sempre nossas vidas.
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