VILLA NEWS

Sobre a mulher jogada da ponte

Maria sendo lançada no vazio. Uma tragédia em tantos níveis””. (Foto: Repridução/ Redes Sociais)

Ouça este conteúdo

Maria Eduarda queria voar. Não é um desejo incomum. Levantada sobre a cabeça de dois homens, ela abre os braços como se tivesse asas. Vai voar. Por uns poucos segundos, vai se sentir livre. Talvez como não se sinta em terra firme? Especulo. Os homens avançam pelo que parece ser uma plataforma. Ela parece feliz naqueles que foram seus últimos instantes de vida. Porque um dos responsáveis pelo salto se esqueceu de prender a Maria à corda de segurança. O voo dela é um voo para a morte.

Aí a gente pode fazer mil suposições sobre o que leva alguém a se arriscar desse jeito. Vício em adrenalina. O senso de imortalidade típico dos 21 anos. (Você também já foi assim). Falta de um sentido para a vida. Julgamentos e sentenças não faltam. Neste nosso tempo cruel, vi uns tantos dizerem que Maria mereceu. Já eu vejo a imagem da moça de braços abertos, como se fosse voar, e penso no nível de confiança envolvida no processo. Maria se deixou jogar no vazio porque confiava. No equipamento. Nas pessoas. Como todos nós confiamos ao atravessarmos a rua. Nada poderia ter dado errado e no entanto deu.

Pena perpétua

O outro lado dessa história são os três homens envolvidos na operação. Dois estão concentrados na tarefa de dar a Maria a impressão de que estão voando. É um trabalho braçal. Outro, mais recuado, observa o salto. Não sei quem era o responsável por se certificar de algo tão óbvio: Maria deveria estar presa a uma corda. Sei, contudo, que depois da tragédia dois dos homens fugiram para a mata, mas acabaram localizados pelo helicóptero da polícia. O que não consigo imaginar, nesse caso, é o desespero de terem participado na morte de uma moça – e destruído suas próprias vidas também.

O que pensava Maria ao despencar da Ponte do Esqueleto? Quais eram os sonhos dela? Será que em algum momento a moça se deu conta de que aqueles eram seus últimos segundos de vida? Quanto aos sujeitos envolvidos na tragédia, agora eles terão de lidar com a Justiça. Talvez sejam condenados a penas exemplares. Onde já se viu uma barbaridade dessas! Mas talvez sejam soltos em breve. Se bem que acredito que, independentemente do que diga a Justiça, a pena para esses casos é perpétua. Afinal, eles terão de conviver para sempre com o fato de terem acabado com a vida de uma moça de 21 anos. A Maria.

Você pode se interessar

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *