A Rússia implementou nesta sexta-feira (12) restrições a importações de alimentos, sementes, flores, madeira, fertilizantes e outros produtos da Armênia, alegando problemas de qualidade nesses produtos, mas a medida vem sendo encarada como uma retaliação política.
Segundo informações do jornal The Moscow Times, a agência federal de segurança agrícola da Rússia, Rosselkhoznadzor, disse que essas restrições foram adotadas devido à “detecção sistemática” de pragas em produtos importados da Armênia desde maio.
“A proibição permanecerá em vigor até que uma estrutura específica seja desenvolvida para garantir a segurança e a rastreabilidade das mercadorias enviadas”, disse a agência em comunicado. Antes, Moscou já havia proibido a importação de outros produtos armênios, como frutas, água mineral e bebidas alcoólicas.
A medida vem sendo encarada como uma ação política, já que nas eleições parlamentares de domingo (7) o partido Contrato Civil, do primeiro-ministro Nikol Pashinyan, venceu a disputa, ficando à frente das legendas pró-Rússia Armênia Forte e Aliança Armênia. O processo eleitoral foi marcado por denúncias de interferência russa.
A ditadura de Vladimir Putin vem aumentando o antagonismo ao governo do Contrato Civil nos últimos anos, desde que a gestão de Pashinyan começou a se afastar da Rússia, alegando que esta não cumpriu o compromisso de protegê-la do vizinho Azerbaijão, que tem capacidade militar maior.
Os dois países, ambos ex-repúblicas soviéticas, tinham uma divergência histórica sobre a região de Nagorno-Karabakh, localizada dentro do Azerbaijão, mas que possuía população étnica armênia.
O impasse foi resolvido de forma trágica após uma operação do Azerbaijão no enclave em setembro de 2023. Devido à ofensiva militar, praticamente toda a população de 100 mil habitantes de Nagorno-Karabakh fugiu para a Armênia e o governo separatista de Artsakh, que controlava parte do enclave, assinou um decreto para dissolver todas as suas instituições estatais.
Forças de paz da Rússia intermediaram um acordo de cessar-fogo, mas não atuaram para repelir a invasão. Diante da inação de Moscou, os armênios anunciaram a saída da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), uma espécie de “Otan da Rússia”, aumentaram seus gastos com defesa e se aproximaram do Ocidente para parcerias na área.
Além disso, o país vem buscando estreitar laços econômicos com a União Europeia: o bloco parabenizou Pashinyan pela vitória de domingo e anunciou ajuda financeira e flexibilização das barreiras comerciais para produtos armênios.
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