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Estados Unidos: o Brasil que deu certo

EUA prosperam ao valorizar liberdade econômica e instituições; enquanto isso, o Brasil segue preso ao Estado, à instabilidade e ao atraso. (Foto: David Maiolo/Wikimedia Commons)

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Toda vez que venho aos Estados Unidos, volto para casa com a mesma sensação: esse país deu certo. Escrevo esta coluna justamente do avião que me traz de volta ao Brasil.

É difícil caminhar por aqui sem se impressionar. Ruas limpas, carros modernos e modelos que sequer existem no Brasil. Chama um Uber? Pode vir um Tesla. Quer uma bolsa de grife? Tem. O orçamento está curto? Tem outlet. O que no Brasil é status, aqui é opção de consumo. E, em meio a isso tudo, cartazes de vagas de emprego em toda vitrine: o sinal mais simples de uma economia que funciona.

Isso me faz refletir: como duas ex-colônias europeias, desenvolvidas em um período histórico semelhante, seguiram caminhos tão diferentes?

Tive a oportunidade de participar da Galt’s Gulch 2026, uma conferência promovida pela Atlas Society, que reuniu lideranças de diferentes partes do mundo para discutir liberdade, capitalismo e os princípios do Objetivismo, filosofia desenvolvida por Ayn Rand.

Passei seis dias em San Diego e, se ainda não sou capaz de responder completamente o que fez esse país dar tão certo, acho que volto para casa um pouco mais perto dessa resposta. E ela parece começar pelo respeito que os americanos têm por sua história e suas instituições.

No próximo mês, os Estados Unidos celebram 250 anos de independência. E o que mais chama atenção é o fato de que, dois séculos e meio depois, os americanos ainda conhecem, discutem e valorizam os princípios que deram origem ao país.

Já o Brasil, no mesmo período, teve sete Constituições, um Império, duas ditaduras e sucessivas rupturas institucionais.

A Constituição brasileira tem apenas 38 anos e já não cabe mais em si mesma. A americana sobreviveu a guerras, crises e revoluções, e ninguém ousou substituí-la

Nem sempre acertaram. Nem sempre foram coerentes com os próprios valores. Mas, nos momentos de crise, a pergunta nunca foi qual novo sistema deveria substituir o anterior, e sim como retornar aos princípios que fundaram a nação. Princípios simples, escritos em 1776, que colocam o indivíduo, e não o Estado, no centro.

E o respeito a essas instituições se traduz diretamente na economia. Os princípios republicanos criaram uma cultura que valoriza a livre iniciativa, a inovação e a meritocracia. Em outras palavras: os Estados Unidos não têm medo da palavra capitalismo.

Em Los Angeles, por exemplo, visitei um lugar famoso por vender cachorros-quentes de carne de búfalo, de coelho e até de cobra. Você consegue imaginar algo assim no Brasil? É claro que não. Alguma regulamentação da Anvisa, com certeza, proibiria. Nos Estados Unidos, cabe ao consumidor decidir se um produto merece continuar existindo, e não ao Estado.

E o país das liberdades entrega mais do que prosperidade econômica. Os mesmos princípios que impulsionaram sua riqueza também ajudaram a consolidar uma cultura comprometida com a liberdade de expressão.

Aqui, ela não parece ser apenas um direito garantido pela Primeira Emenda; é um valor que faz parte da identidade nacional. As pessoas são incentivadas a defender suas ideias, questionar autoridades e debater assuntos controversos que, em muitos lugares, seriam recebidos com censura ou hostilidade.

A própria conferência é a prova disso. Cidadãos americanos financiaram a vinda de lideranças de diferentes partes do mundo para debater ideias, sem pauta fechada ou temas proibidos.

Um dos palestrantes foi Topher Field, ativista australiano que, durante os lockdowns da Covid, passou mais de 500 dias nas ruas de Melbourne resistindo às restrições, foi preso e processado pelo governo e escreveu um livro cujo título resume sua filosofia: boas pessoas desobedecem leis injustas. Aqui, ele contou essa história num palco. Na Austrália, ele foi preso.

Não por acaso, muitas dessas ideias também aparecem na filosofia de Ayn Rand, a protagonista da conferência. Fugida da Rússia soviética, ela defendia que o indivíduo é dono da própria vida, não um peão no tabuleiro do Estado. Para ela, a prosperidade nasce da ambição de quem produz, e não da benevolência de quem governa.

Os americanos não tratam sua história como matéria esquecida na escola. Eles conhecem de cor a Declaração de Independência: todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de direitos inalienáveis, como a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Enquanto nós compramos camisetas da seleção na Copa, eles usam bonés com a inscrição 1776. O ano da independência. O ano em que decidiram que o indivíduo viria antes do Estado. Talvez seja por isso que esse país deu certo. E talvez seja também por isso que o Brasil ainda não.

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