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Luciano Hang chama universidades federais de “guetos da esquerda” e provoca reação

O empresário Luciano Hang, conhecido como “Véio da Havan”, recebeu críticas de representantes do governo federal, entidades estudantis e organizações ligadas ao ensino superior após afirmar que as universidades federais seriam responsáveis pelo atraso do Rio Grande do Sul. A declaração ocorreu durante a inauguração de uma megaloja da Havan em Taquara (RS), em 30 de maio. A rede possui 22 unidades no estado.

Na ocasião, Hang classificou as instituições como “guetos da esquerda” e disse que “o atraso do Rio Grande do Sul são as universidades federais”. O empresário afirmou ainda que as universidades estariam formando pessoas com ideias que, na avaliação dele, não contribuem para o desenvolvimento econômico e social do estado.

As declarações repercutiram nas redes sociais e provocaram reações de diferentes setores. Professores, estudantes e representantes do governo contestaram as afirmações e defenderam a contribuição das universidades federais para a formação profissional, a produção científica e o desenvolvimento tecnológico.

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Ministra rebate Hang e defende universidades federais

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, rebateu as críticas e destacou a importância das instituições para o desenvolvimento do país. Segundo ela, o acesso ao ensino superior público representa investimento no futuro.

“No Rio Grande do Sul, só no Sisu 2026, as universidades federais ofertaram 12.470 vagas. São milhares de jovens tendo acesso à educação pública gratuita e de qualidade. Isso não é atraso, isso é futuro”, afirmou a ministra.

Luciana também citou indicadores relacionados à inovação. Segundo ela, “universidade pública não é obstáculo à inovação, mas uma das bases da inovação brasileira”.

Entidade estudantil e de professores reagem à crítica de Hang

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, também criticou as declarações do empresário. “As universidades públicas nunca foram um ‘gueto da esquerda’. Elas são um dos principais instrumentos de desenvolvimento nacional e de redução das desigualdades que o Brasil já construiu”, afirmou.

A repercussão das declarações mais recentes também mobilizou entidades representativas dos docentes. A Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria (Sedufsm) divulgou uma nota de repúdio às falas do empresário.

“A Sedufsm reitera que não tolerará ataques infundados de indivíduos que difundem intencionalmente desinformação para obter dividendos políticos e lucros fáceis, a despeito dos prejuízos causados às instituições públicas e ao povo brasileiro”, declarou a entidade.

Luciano Hang direcionou críticas à UFSM em 2019

As críticas de Luciano Hang às universidades federais não são inéditas. Em novembro de 2019, o empresário visitou Santa Maria (RS) e fez declarações contra a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Na época, Hang publicou textos afirmando que a instituição gastava recursos públicos com professores de esquerda que doutrinariam estudantes com ideologias marxistas. As declarações provocaram reações no meio acadêmico.

Em resposta, a UFSM divulgou uma nota de repúdio. “Ao longo de sua história, a UFSM contribuiu de forma incisiva e marcante com o desenvolvimento econômico e social, não só de Santa Maria, mas de toda a região central do Rio Grande do Sul.”

Hang foi condenado após declaração contra reitor da Unicamp

As críticas de Luciano Hang às universidades públicas também já tiveram desdobramentos na Justiça. Em 2020, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve uma condenação que obrigou o empresário a pagar R$ 5 mil por danos morais ao então reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel.

O processo teve origem em uma publicação feita por Hang nas redes sociais. Na mensagem, o empresário relatou um suposto episódio ocorrido em uma cerimônia de formatura da universidade. “Amigo meu acaba de me contar. Foi na formatura do sobrinho. No final, o reitor grita: ‘Viva la Revolución’. E depois dizem que nossas universidades não estão contaminadas? Vá pra Venezuela reitor FDP”, atacou o empresário.

Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que a publicação ultrapassou os limites da liberdade de expressão e atingiu a honra do dirigente universitário. Com isso, foi mantida a condenação e o pagamento de indenização por danos morais.

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