Em maio, a ministra da Educação de Cuba, Naima Ariatne Trujillo Barreto, havia informado que o ano letivo terminaria mais cedo devido aos apagões diários na ilha.
As aulas, que geralmente se estendem até meados de julho, seriam interrompidas no ano letivo de 2025-2026 entre 15 e 30 de junho, numa escala gradual. Entretanto, a crise em Cuba é tão grave que em muitas escolas o prazo foi ainda mais abreviado: segundo a agência EFE, vários colégios em Havana já estão quase sem atividades nesta semana.
“Não há luz, não há água, não há nada”, disse à EFE Norki Rigondeaux, uma moradora de Havana de 57 anos, ao buscar antes do horário o seu neto em uma escola primária da capital cubana. “Não dá para dar [aula] assim.”
Alguns pais explicam que os apagões – de até 22 horas por dia em Havana e ainda piores no restante do país – impedem as crianças de dormir em condições adequadas, especialmente com o calor, o que dificulta a frequência à escola no dia seguinte.
Rigondeaux acrescentou que muitas vezes os educadores, que recebem salários baixíssimos, “chegam tarde devido ao problema do transporte”, quando não desaparecem no meio do ano porque saem do país e precisam ser substituídos, como aconteceu com a turma do seu neto, do primeiro ano.
Segundo números compilados pela EFE no início do atual ano letivo, em setembro de 2025, nenhuma província do país alcançou 100% de cobertura docente e, em alguns lugares, como Sancti Spíritus e Havana, as autoridades não conseguiram preencher uma em cada três vagas de professor.
A diretora do Escritório Regional da Unesco em Havana, Anne Lemaistre, advertiu em 29 de maio que “a educação em Cuba está em risco devido à atual crise de energia” e que “isso dificulta que professores e estudantes frequentem as aulas, aprendam eficazmente e desfrutem de uma vida social normal com seus amigos”.
No final de janeiro, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a aplicação de uma tarifa a países que exportarem petróleo para Cuba, alegando que a ilha comunista convida “adversários perigosos dos Estados Unidos” a instalar no seu território “bases militares e de inteligência sofisticadas que ameaçam diretamente a segurança nacional” americana.
Países que enviavam a commodity para o regime castrista, como o México, interromperam as exportações devido à taxa. Esse bloqueio, aliado ao veto americano a envios de petróleo venezuelano para Cuba desde a captura do ditador Nicolás Maduro em 3 de janeiro, agravou a crise energética na ilha, que vem sofrendo apagões diários. Porém, em março, Trump permitiu entregas pontuais de petróleo russo.
A pressão americana sobre a ditadura castrista também vem ocorrendo por meio da intensificação das sanções contra o regime, ameaças de que a ilha será “a próxima” após as ações militares americanas na Venezuela e no Irã e o indiciamento, em maio, do ex-ditador Raúl Castro, pelas mortes de quatro ativistas cubano-americanos no abate de dois aviões civis em 1996.
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