Um grupo de 58 pessoas é alvo da Polícia Federal, nesta terça-feira (9), por suspeita de corromper servidores públicos em sete estados do país para o cometimento de crimes como contrabando de cigarros, importação ilegal de agrotóxicos, falsificação de documentos e placas de veículos e lavagem de dinheiro.
Os alvos de mandados de prisão preventiva e temporária são cumpridos pelas Operações Operações Sicarius I e Sicarius II em municípios do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará.
Há, ainda, 62 mandados de busca e apreensão e ordens de bloqueio e sequestro de contas bancárias, cancelamento de cinco CPFs, de sete CNPJs e a abertura de 67 procedimentos administrativos fiscais contra empresas investigadas.
“As investigações apontam que o grupo criminoso possuía uma estrutura com divisão de funções e com atuação em diversos estados da federação, mediante empresas de fachada, interpostas pessoas e mecanismos de ocultação patrimonial para dissimular a origem ilícita dos recursos obtidos com as atividades criminosas”, afirmou a Polícia Federal em nota.
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Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada mantinha uma estrutura altamente articulada e com funções bem definidas entre seus integrantes, o que permitia a atuação coordenada em diferentes estados do país. As apurações indicam que o grupo recorria a empresas de fachada, ao uso de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, e a diversos mecanismos de ocultação patrimonial para dissimular a origem ilícita dos recursos obtidos por meio das atividades criminosas e dificultar a ação dos órgãos de fiscalização e investigação.
A Gazeta do Povo apurou que o grupo agia principalmente na cidade de Guaíra (PR), na fronteira do Brasil com o Paraguai, e teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre os anos de 2019 e 2024. Um doleiro controlava contas em nome de “laranjas” e empresas de fachada e, em seu próprio nome, movimento R$ 114 milhões no período investigado.
“Segundo as investigações, a organização criminosa transnacional atuava no contrabando principalmente de cigarros provenientes do Paraguai e posteriormente ocultava ou dissimulava os recursos obtidos nessas atividades”, completou a Receita Federal.
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Além das medidas executadas em território nacional, a Justiça Federal autorizou ações de cooperação jurídica internacional para ampliar o alcance das investigações. A estratégia tem como objetivo rastrear ativos financeiros eventualmente mantidos no exterior, identificar possíveis integrantes da organização fora do Brasil e localizar estruturas empresariais ou patrimoniais que possam ter sido utilizadas para movimentar ou ocultar recursos provenientes dos crimes investigados.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, as operações vão além da responsabilização criminal dos suspeitos e têm como foco atingir a base financeira que sustentaria o esquema criminoso.
Com o bloqueio de contas, a identificação de patrimônio e outras medidas cautelares, os investigadores buscam interromper o fluxo de recursos da organização, descapitalizar seus integrantes e garantir a preservação de bens que poderão ser utilizados futuramente para ressarcir os prejuízos causados aos cofres públicos.


