A rapidez das transformações tecnológicas e a quantidade de informações disponíveis exigem que a escola forme estudantes capazes de compreender, selecionar e aplicar o conhecimento de maneira responsável. Em um cenário onde o entretenimento digital rápido e as telas competem frequentemente pela atenção dos jovens, o desafio central da educação contemporânea é engajá-los de forma significativa face ao contexto hiperestimulante em que estão inseridos (Han, 2015, p. 23). Não basta ensinar conteúdos: é preciso contribuir para que cada estudante se reconheça como sujeito capaz, crítico e sensível às demandas do mundo.
Historicamente, estudantes são preparados, na maioria das vezes, a partir de uma educação técnica, em que não é dada ao indivíduo a oportunidade de criar, como se não fossem seres pensantes. Imersos em práticas laborais uniformes e a serviço de um mercado de consumo, o pensar, o ser crítico e o criar perdem o seu valor (Alcântara, 2017, p. 79). Diante disso, a superação do modelo tradicional fragmentado torna-se indispensável. A educação contemporânea deve focar em conhecimentos reais, colocando o estudante como protagonista. É urgente repensar práticas pedagógicas que formem sujeitos capazes de compreender o mundo, questioná-lo e transformá-lo (hooks, 2021, p. 19).
Como resposta a esse desafio, o Colégio Sesi Internacional (Curitiba) consolidou um ecossistema de aprendizagem fundamentado no Programa ASW (Afterschool Workshop). Realizada nas duas últimas aulas do período da tarde, a iniciativa visa expandir o tempo de vivência escolar por meio de oficinas de investigação e criatividade. Destacam-se os projetos que exigem processo de seleção e maior carga horária, dentre eles: Iniciação Científica (IC), Robótica, Model United Nations (MUN), Microsoft Office Specialist (MOS), Foguetes, Stage Project, Jornal e Rock Band.
PROJETOS E SUAS POTENCIALIDADES NO AMBIENTE ESCOLAR
O diferencial do Programa ASW reside na intencionalidade e na cultura de excelência. Os estudantes passam por processos seletivos, o que estimula o comprometimento desde o primeiro momento. Além das rotinas de cada projeto, a escola promove imersões impactantes. Um exemplo marcante aconteceu em 2024, quando a simulação de uma Conferência das Partes (COP) foi realizada com o Ensino Fundamental. Divididos em nações com interesses climáticos opostos, os alunos realizaram eleições, redigiram leis, compuseram hinos e debateram soluções diplomáticas. Trata-se de uma abordagem ativa que rompe a lógica de mera transmissão de conteúdo e convida o estudante a assumir o protagonismo do próprio percurso formativo.
Os resultados alcançados evidenciam uma transformação no perfil dos estudantes. A participação em feiras, simulações e competições permite que os alunos levem o nome da escola além de seus muros, desenvolvendo soft skills essenciais como oratória, liderança, colaboração e empatia. Quando o estudante participa de um processo criativo, ele aprende a formular perguntas, analisar dados e comunicar o que descobriu, transformando a curiosidade em uma postura epistemológica e consciente (Freire, 2018, p. 54). Essa construção de responsabilidades garante uma preparação acadêmica de excelência, fundamental para o ensino superior e para a futura atuação no mercado de trabalho e na indústria.
Uma educação pautada em projetos engajadores transforma o próprio contexto escolar, transcendendo seu impacto para toda a comunidade, e não apenas para quem participa diretamente. A constante socialização dos resultados faz com que outros estudantes se sintam compelidos a participar das seletivas. Esses períodos tornam-se momentos aguardados, nos quais os candidatos percebem a escola como um espaço onde podem desenvolver a sua voz. Essa prática científica e investigativa desperta a curiosidade e a vontade de continuar explorando.
Em suma, a articulação entre o currículo regular e os projetos extracurriculares prova que a escola forma pessoas mais bem preparadas para a vida quando aposta na autonomia. Uma instituição que valoriza o diálogo, o cuidado e o protagonismo estudantil constrói não apenas bons estudantes, mas cidadãos mais completos. Ao incentivar o desenvolvimento contínuo por meio desses espaços, o ambiente escolar reafirma o compromisso com a formação integral de jovens prontos para atuar com inteligência e sensibilidade na sociedade.
Referências:
ALCÂNTARA, Leide Rosane. Pedagogia do teatro: uma experiência de ensino-aprendizagem na sala de aula. Revista NUPEART, Florianópolis, v. 17, n. 1, p. 74–85, 2017. DOI: https://doi.org/10.5965/2358092517172017074. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/nupeart/article/view/11688. Acesso em: 2 set. 2024.
HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2015.
HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017.
HOOKS, bell. Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática. Tradução de Ana Luiza Libânio. São Paulo: Elefante, 2021.


