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Revoltado com o caso do menino Henry? Este texto é para você!

A mãe de Henry Borel: misoginia e patriarcado. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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O caso do menino Henry teve um desfecho que deixou muita gente revoltada. Na verdade, quase todo mundo. Provavelmente você. O padrasto, um tal de Dr. Jairinho, foi condenado a mais de 43 anos de prisão. Ok. O problema é com a mãe, Monique Medeiros. Ela que recebeu um perdão judicial baseado em conceitos como “misoginia” e “patriarcado”. Lembrando que Henry tinha apenas 4 anos de idade e morreu devido a agressões do padrasto, com a conivência da mãe. O que só aumenta a revolta.

Mas pera lá que tem mais coisa. Tem uma guerra política e ideológica e as pessoas, que não são bobas nem nada, unem os pontos. E a revolta aumenta quando alguém se lembra, por exemplo, que uma mulher foi condenada a 14 anos de prisão por escrever numa estátua. Em defesa da Débora do Batom, no entanto, ninguém evocou a misoginia ou o patriarcado. Pelo contrário, vi muita gente dizendo que, se a cabeleireira tivesse ficado em casa cuidando dos filhos, não estaria na condição em que está.

Mais tranquilo?

Escrevo este texto, porém, para tranquilizar o leitor revoltado. Será que consigo? Duvido, mas vou tentar. Primeiro com o argumento para mim mais sólido, ainda que mais difícil de engolir. Muito mais difícil: Monique Medeiros pode até estar solta, mas jamais conseguirá se livrar do que fez. Ou melhor, do que não fez para proteger o filho. A memória do filho morto estará para sempre na retina dela. Aonde quer que ela vá. Mas esse, bem sei, é um castigo imperceptível. Por isso talvez console apenas uns poucos leitores de Dostoievski, mas nunca toda uma sociedade cansada de impunidade.

O outro argumento é mais técnico: o Ministério Público do Rio de Janeiro já entrou com recurso pedindo a anulação do julgamento e do perdão judicial concedidos a Monique Medeiros. O problema está numa pergunta formulada pela juíza e militante feminista Elizabeth Machado Louro. Cá entre nós, não gosto quando a indignação popular parece orientar a justiça, mas neste caso talvez sirva para corrigir o que, tá na cara, é um erro motivado por uma visão ideológica da vida. Espero que você esteja um pouco mais tranquilo agora.

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