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Capital nacional do frio se prepara para receber turistas no inverno

As primeiras madrugadas com temperaturas negativas deste ano voltaram a colocar Urupema, na serra catarinense, no topo do mapa do frio no Brasil e no radar do turista que planeja uma viagem no inverno. Reconhecida como a capital nacional do frio e com histórico recente de mínimas abaixo de -5 ºC, o município de 2,7 mil habitantes transformou as temperaturas extremas em cartão-postal.

Em maio, durante o outono —  o inverno começa no dia 21 de junho —  Urupema registrou a temperatura de -5,15 ºC, a menor do estado de Santa Catarina neste ano até o momento. Entradas sucessivas de ar polar costumam empurrar a cidade ao topo do ranking de mínimas do país, ao lado dos municípios de São Joaquim e Bom Jardim da Serra, ambos na região serrana catarinense.

A explicação está na combinação de altitude em torno de 1.425 metros com a geografia em formato de bacia: a área urbana fica em uma depressão cercada de morros, favorecendo o escoamento e o acúmulo do ar frio nas madrugadas mais claras.

Em 2021, a lei federal 14.255, sancionada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), concedeu a Urupema o título de “capital nacional do frio”. O simbolismo reforçou a imagem da cidade como destino turístico, com atrações da natureza, como a neve, as cascatas congeladas e paisagens brancas no estilo bucólico europeu.

A prefeitura reconhece que a temporada de geadas e neve traz um aumento importante na circulação de turistas e, a partir de 2026, promete iniciar a coleta de dados oficiais sobre o peso do turismo de inverno em uma economia ainda sustentada principalmente pela produção de maçã, batata, pecuária, orgânicos e trutas.

O que fazer em Urupema, a capital nacional do frio

Quando o termômetro cai, Urupema se torna um roteiro compacto de fim de semana em torno do frio, da paisagem e da vida simples. Para o jornalista Alan Vignoli, 33 anos, que frequenta a cidade desde a infância, há três programas obrigatórios para sentir esse clima em poucos dias:

Morro das Antenas

Listado no portal de turismo da cidade, o ponto mais famoso é o Morro das Antenas, também chamado de Morro das Torres, a cerca de oito quilômetros do centro, acessível por estrada de chão. O local costuma registrar as menores temperaturas do município, além de geada intensa e, em alguns anos, até neve.

“Além de ser o ponto mais alto de Urupema e um dos mais altos de Santa Catarina, com cerca de 1.750 metros de altitude, é uma paisagem impressionante da serra. Em dias de céu limpo, a vista parece não ter fim. No inverno, com geada forte, é um lugar único também. Mas precisa ir bem agasalhado”, recomenda Vignoli. Ele comenta que quem sobe bem cedo, antes do nascer do sol, costuma ser recompensado com horizontes avermelhados, araucárias cobertas de gelo e aquele visual de “inverno europeu” que circula em fotos e vídeos da cidade.

Cascata que congela

Outro ponto que virou símbolo da cidade é a cascata congelada, situada em um vale sombreado, pouco alcançado pelo sol. Em invernos mais rigorosos, a combinação de temperatura muito baixa e falta de insolação faz com que a queda-d’água se transforme em bloco de gelo, com formações que lembram cortinas e colunas cristalizadas.

“É um daqueles lugares impressionantes pela beleza natural e pelo silêncio. Algo muito raro de se ver aqui no Brasil”, ressalta. Nos últimos anos, o fenômeno foi registrado em 2019 e 2024, quando a cachoeira permaneceu parcialmente congelada por vários dias, atraindo turistas de diversos estados.

Vinícola e lago

O desenvolvimento do turismo também aparece com as experiências gastronômicas na cidade. “Um lugar que representa muito bem a evolução do turismo local é a vinícola Gaudio. Além dos vinhos, a experiência e as paisagens da serra fazem valer muito a visita”, aponta o jornalista. A vinícola já conquistou reconhecimento internacional com alguns dos rótulos locais.

Dentro da área urbana, a praça central com lago, igreja e araucárias é o ponto de referência para quem chega à cidade. Segundo o jornalista, em manhãs geladas, o gramado ao redor amanhece branco, e não é raro ver finas camadas de gelo em superfícies d’água ou nos bancos e corrimãos. Ele recomenda combinar uma volta pela praça com paradas em cafés e restaurantes que aproveitam o frio para oferecer fondues, massas, sopas e vinhos produzidos nas encostas da serra.

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Prefeitura planeja investimento na infraestrutura para turistas

A oferta de hospedagem em Urupema ainda é menor que em cidades serranas, como Urubici, mas a tendência é de crescimento com o atendimento dos turistas em chalés, pousadas familiares e casas de temporada.

Esses lugares investem em ambientes que valorizam o clima: fogões a lenha, lareiras, janelas com vista para vales e, em alguns casos, animais de criação que viram parte da experiência, como ovelhas e vacas em pastos nevados.

Antenor Pinto de Arruda Neto, secretário de Turismo e Urbanismo, reconhece que a estrutura para o atendimento ao turista ainda é incipiente, mas afirma que a prefeitura desenha um plano para qualificar a infraestrutura urbana e criar novos atrativos para os turistas.

A principal obra prevista é a implantação de uma rua coberta em frente à praça central. “Um equipamento moderno, com atrativos gastronômicos e de lazer, onde o turista e a população poderão aproveitar melhor as paisagens e os encantos da região”, explica.

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Como chegar a Urupema

Urupema está a cerca de 52 quilômetros de Lages e a quase 200 quilômetros de Florianópolis. O caminho mais comum é seguir pela BR‑282 até a região serrana e depois pegar estradas estaduais que ligam a cidade a municípios como Painel e Rio Rufino. 

A rodovia é asfaltada na maior parte do trajeto, mas alguns acessos a pontos turísticos, como o Morro das Antenas e a cascata que congela, são por estradas de terra, que pedem cuidado em dias de chuva, neve ou gelo na pista.

Quem vai de ônibus encontra linhas de empresas regionais que ligam Urupema a Lages e a outros municípios, de onde é possível seguir para Florianópolis e outras capitais do Sul. Já os aeroportos mais próximos ficam em Lages e Florianópolis, com o trecho final sendo concluído de carro ou por transporte rodoviário.

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