Obras de restauração da Catedral de São Romualdo, na cidade belga de Mechelen, revelaram no subsolo do local os vestígios de uma Igreja perdida há séculos.
A descoberta arqueológica na Bélgica chamou a atenção de pesquisadores de toda a Europa. O que parecia ser uma simples reforma virou uma escavação que pode reescrever parte da história medieval do local.
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A catedral de Mechelen, conhecida oficialmente como Catedral de São Romualdo, é um dos monumentos góticos mais imponentes da Bélgica. Sua torre, que domina o horizonte da cidade, é patrimônio mundial da Unesco desde 1999.
Catedral de São Romualdo, na Bélgica. (Foto: Wikimedia Commons )
Durante as obras de restauração na ala norte do edifício os arqueólogos se depararam com algo inesperado ao escavar abaixo do piso da casa do cabido – edifício que normalmente fica anexo a uma catedral é historicamente usado para as reuniões do cabido, grupo de sacerdotes responsáveis pela administração da catedral e pela liturgia do local.
Durante as escavações, a equipe encontrou camadas de entulho contendo cerâmica e materiais de construção dos séculos XVI e XVII, o que por si só já é indício de que o local havia passado por grandes reformas naquele período. Mas a descoberta mais relevante veio na sequência.
Nas camadas mais profundas, surgiu outra parede posicionada em um ângulo distinto em relação às outras estruturas do local – sinal de que pertence a uma construção anterior.
Essa parede é a peça-chave da hipótese que está animando os arqueólogos: a de que existia, no local, uma igreja românica anterior à catedral atual. Ou seja, a catedral de São Romualdo pode ter sido erguida sobre os alicerces de uma edificação religiosa ainda mais antiga. Sendo uma igreja medieval perdida, encoberta pelo tempo e por sucessivas reformas.
Construir sobre o sagrado era uma prática comum na Idade Média
Não é incomum que grandes catedrais europeias escondam construções anteriores em seu subsolo. Durante a Idade Média, era prática recorrente erguer novas igrejas sobre o mesmo terreno sagrado de edifícios religiosos mais antigos.
Isso acontecia por razões práticas, já que o solo já era consagrado, mas também por uma questão de continuidade espiritual e de afirmação do poder da Igreja no território.
Catedral de São Romualdo, na Bélgica. (Foto: Wikimedia Commons )
No caso de Mechelen, a catedral atual tem suas origens no século XIII, mas a cidade já era um centro religioso importante antes disso. A hipótese de uma igreja românica no local é, portanto, perfeitamente plausível dentro do contexto histórico da região.
Arqueólogos ainda investigam a origem da estrutura encontrada
As escavações fazem parte de um projeto de restauração de longo prazo. Cada intervenção, por mais cuidadosa que seja, pode revelar novas camadas. Os estudos e análises da recente igreja descoberta ainda estão em andamento e devem confirmar ou refinar a hipótese da igreja românica.
O achado arqueológico da Igreja antiga em Mechelen já é considerado um dos mais relevantes da região nos últimos anos e pode trazer novas informações sobre como o cristianismo medieval se organizava e se fixava no território que hoje é a Bélgica.
Por ora, a catedral de São Romualdo guarda mais segredos do que se imaginava. E cada caminho aberto pelos arqueólogos aponta para uma história que ainda está sendo escrita. Ou melhor, desenterrada.


