“O poder sindical é essencialmente o poder de privar alguém de trabalhar aos salários que estaria disposto a aceitar.”
Hayek
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Alguém já disse que a juventude é a capacidade de ter surpresas. Não no Brasil. Aqui, é-se surpreendido a todo momento.
Embora tenhamos hoje uma guerra mundial por empregos, no Brasil ainda é devastador o impacto dos sindicatos e das regulamentações trabalhistas na destruição dos empregos. Ou do populismo eleitoral, como o fim da escala 6×1.
O CEO da LATAM alertou, dias atrás, que o fim da escala 6×1 pode inviabilizar todos os voos internacionais de longa duração no Brasil. Você não entendeu errado: ele fez uma previsão contundente. Dependendo do formato aprovado pelo Congresso, o Brasil pode perder toda a sua operação de voos internacionais.
Alguém já avaliou o impacto disso também no agro? Estamos batendo recordes de exportações de produtos frescos, como frutas ou peixes, e esse tipo de comércio depende do transporte aéreo.
Lembrei-me de quando embarquei no voo da Latam de São Paulo para Tel Aviv e fiquei surpreso ao saber que toda a tripulação era chilena. Tal fato ocorre porque os aeronautas brasileiros têm restrições sindicais quanto à duração do voo (mais de 14 horas).
Isso é um triste exemplo de como essa caça ao voto em ano eleitoral, ou a nossa lei trabalhista e suas idiossincrasias sindicais, reduzem a produtividade dos trabalhadores brasileiros ou até mesmo destroem a abertura de novas vagas de trabalho.
Cada vez que uma aeromoça chilena me atendia, não podia deixar de refletir sobre como subestimamos o quão destrutivo não ter um emprego é para o indivíduo e sua comunidade.
O gráfico abaixo mostra a relação entre a regulamentação do emprego, como no caso da Latam, e a economia subterrânea, ou até a falta de um emprego formal.

Moral da história: muita burocracia leva empregadores e funcionários ao mercado negro ou à falta de postos de trabalho.
Esse episódio da LATAM realça a infeliz escolha do Brasil em discutir a jornada de trabalho em pleno ano eleitoral, ou a excessiva judicialização, bem como a nefasta intervenção sindical em nosso mercado de trabalho.
Essas regras ultrapassadas reduzem a geração de empregos em um mundo cada vez mais globalizado.
Não aceitamos o óbvio: a legislação trabalhista precisa adotar o pressuposto verdadeiro de que qualquer trabalhador, seja na aviação ou em qualquer outro setor, sabe administrar sua carreira melhor do que o governo ou do que um sindicato.
E esquecer o ranço ideológico de que o capital explora o trabalhador. Pelo contrário, quanto maior a quantidade de bens de capital utilizados por um trabalhador, maior será sua produtividade.
O capital aumenta o valor da mão de obra ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas de que ele necessita para produzir bens e serviços que os indivíduos valorizam.
É o caso aqui: de nada adianta a Latam possuir um novíssimo Boeing 787 se isso não puder ser colocado à disposição do trabalhador brasileiro.
Pode até ser que esteja faltando emprego na aviação brasileira, mas posso afirmar que está sobrando trabalho!
Que o diga a rota São Paulo–Tel Aviv.
Ou as exportações que o agronegócio faz por via aérea.


