“O Agente Secreto”, com Wagner Moura (foto), concorreu ao Oscar em 2026 e teve o melhor desempenho na bilheteria entre os filmes nacionais, que são beneficiados pela Cota de Tela. (Foto: Divulgação/Victor Jucá)
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O ator Wagner Moura entrou na Justiça do Rio de Janeiro com uma queixa-crime contra o pastor Silas Malafaia após ter sido criticado por sua participação no filme “O Agente Secreto”, trabalho que foi indicado ao Oscar. A equipe que representa Moura disse que o religioso, ao se referir a ele como “cretino” e “esquerdista de araque”, teria cometido injúria e difamação.
O processo — que corre em segredo de Justiça a pedido do ator — tramita na 5ª Vara Cível da Barra da Tijuca. A ação foi aceita e o pastor já foi citado, de acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo. Pela acusação, a pena dos supostos crimes de injúria e difamação poderia resultar na condenação de Malafaia a quatro anos e meio de prisão.
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A representação do artista pede, ainda, uma indenização de R$ 100 mil. Malafaia declarou que o ator teria de processar também “centenas de milhares de pessoas que deram a mesma opinião”, também de acordo com a colunista.
“A utilização do termo ‘cretino’, em particular, revela inequívoco caráter insultuoso, constituindo xingamento que atinge frontalmente a dignidade do querelante, ao passo que a expressão ‘esquerdista de ataque’ (SIC), no contexto em que foi empregada, assume nítida conotação pejorativa e desqualificadora, destinada a rotular e ridicularizar o ofendido perante terceiros”, diz um trecho da petição inicial dos advogados Augusto Arruda Botelho e Caio Mariano, citados pela Folha de S.Paulo e reproduzidos em diversos outros veículos.
Os advogados aproveitaram, ainda, as polêmicas antigas envolvendo o pastor, que já foi condenado a indenizar o influenciador Felipe Neto e está enfrentando um processo pelo mesmo crime de injúria no Supremo Tribunal Federal (STF) por dizer que o Comando do Exército brasileiro seria “frouxo”.
A defesa também alegou a ampla exposição pública dos comentários e a longa carreira de Wagner Moura, ligada ao debate político, para argumentar que sua imagem seria “vulnerável” às mensagens de Malafaia.
“R$ 18 para professores, bilhões para ‘cultura’”
Na postagem de janeiro, Malafaia argumentou que Moura defenderia um governo que não valoriza o magistério, mas que teria “bilhões” para produções supostamente culturais. Malafaia ainda ironizou o ator por morar nos EUA, dizendo que ele deveria morar em Cuba.
“Para esse artista cretino , governo bom é dar aumento de 18 reais para professores e 18 bilhões para o que eles chamam de cultura. Na verdade é compra de consciência e propaganda de governo . Você está morando no lugar errado, ao invés de EUA , vai morar em Cuba seu esquerdista de ataque !” (SIC)
A equipe de Moura considerou que as postagens tiveram “centenas de milhares de visualizações”, “ampliando significativamente o alcance da ofensa”. Dizem também que Malafaia atribuiu ao ator “a prática de conduta moralmente reprovável”, de obter vantagem financeira um governo que ele (Malafaia) considera corrupto.
À coluna de Mônica Bergamo, o pastor afirmou que Moura teria de processar “centenas de milhares” de pessoas que expressaram opinião parecida com a dele nas redes sociais. A Gazeta do Povo tentou contato com advogados do religioso, além de sua assessoria de imprensa, sem ter obtido resposta até fechar esta edição. O espaço segue aberto.
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