Situado entre Israel, Cisjordânia e o território palestino da Cisjordânia, o Mar Morto perdeu aproximadamente um terço da sua área de superfície nos últimos 50 anos e o receio é que o corpo d’água se transforme em um novo Mar de Aral, que foi engolido pelo deserto devido à ação humana.
Uma reportagem da emissora CNN da semana passada apontou que a área do Mar Morto recua cerca de 1,2 metro por ano.
O Rio Jordão e seu principal afluente, o Yarmouk, que alimentam o Mar Morto, encolheram após a construção de barragens e o desvio dos seus cursos por Israel, Síria e Jordânia para abastecimento da população e agropecuária.
Outro fator é a indústria de extração mineral, que bombeia água da bacia norte para os reservatórios, que evapora ao sol, deixando para trás uma salmoura da qual são extraídos minerais como potássio e magnésio. Um terceiro ponto são as secas, cada vez mais intensas e prolongadas.
Há projetos para tentar frear a retração do Mar Morto, mas eles não avançam. À CNN, Hazim El-Naser, presidente do Fórum de Água do Oriente Médio e ex-ministro da Água da Jordânia, disse que até 600 milhões de metros cúbicos de água do Mar Vermelho poderiam ser desviados para o Mar Morto “sem problemas”, por meio de um projeto que teve um memorando de entendimento assinado em 2013 por Israel, Autoridade Palestina e Jordânia.
Porém, o projeto está paralisado devido ao alto custo e à falta de cooperação regional.
“O nível da água do Mar Morto baixa cerca de um metro por ano e o solo afunda cerca de 15 centímetros por ano. O Rio Jordão e o escoamento da água da chuva das montanhas circundantes causam elevações temporárias nos níveis da água. No entanto, o uso da água para a agricultura, o bombeamento de água salina para extrair potássio e a evaporação causada pelo calor intenso fazem com que os níveis da água continuem a diminuir”, alertou em relatório a empresa holandesa Green Earth, que ajuda outras empresas em projetos de sustentabilidade.
“Para manter seu tamanho atual, o Mar Morto precisaria de um aporte anual de 160 bilhões de galões de água. Atualmente, recebe apenas cerca de 10% desse volume”, relatou.
Um exemplo dramático de um mar que “chegou ao fim” foi o Mar de Aral, localizado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão.
As águas dos rios que o alimentavam foram desviadas no período soviético, a partir da década de 1960, para irrigar produções de algodão (o “ouro branco”) e outras culturas, levando-o a perder 90% da sua área original nas décadas seguintes.
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