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A jornada para o fim do Brasil

Deputados comemoram aprovação de PEC que acaba com escala 6″1 e reduz jornada de trabalho semanal. (Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados)

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E lá vai o Brasil para o buraco de vez… É doído observar os absurdos que são implementados única e exclusivamente para a conquista de votos. Se nos afundamos sempre, em ano eleitoral invariavelmente aceleramos o passo para a consolidação da desgraça absoluta. E o Congresso caminha para aprovar a mudança na jornada e escala de trabalho, tentando ignorar as graves consequências disso para o país, de olho em benefícios imediatos para os políticos, para os candidatos mesquinhos, irresponsáveis e inconsequentes. As vantagens eleitorais obtidas agora por essa gente da politicagem vão certamente provocar um quadro de quebradeira de empresas – principalmente as pequenas e médias –, achatamento da renda, aumento do desemprego, da inflação, queda nas exportações e redução do PIB.

Precisamos trabalhar mais, e não menos. E não é a mudança na escala de trabalho que vai resolver o problema da baixa qualificação da mão de obra, da baixa produtividade, dos ganhos médios reduzidos dos trabalhadores. Tampouco teremos solução para a judicialização excessiva das relações trabalhistas. Seguimos amarrados à CLT, engendrada por Getúlio Vargas supostamente para “proteger os trabalhadores”, com inspiração na Carta del Lavoro, do fascista Mussolini. Rever as leis trabalhistas, com amplo debate, levando em conta as experiências já vividas, o mundo tecnológico em que estamos, isso não daria voto… Está decidido que fingir é melhor. Os politiqueiros juram que o Estado é o grande protetor dos trabalhadores, sempre tão indefesos, contra empresários diabólicos, exploradores da mão de obra, quase senhores de escravos.

Enquanto demonizar os empreendedores, o Brasil não terá a menor chance de dar certo

Enquanto demonizar os empreendedores, o Brasil não terá a menor chance de dar certo. Sobre eles já recai uma burocracia gigantesca – licenças, normas, alvarás, portarias –, sobre eles recai um sistema tributário complexo e ganancioso. Ao empregador cada trabalhador custa bem mais do que ele paga de salário. E é o Estado que decide o que será feito do dinheiro tomado dos empresários com a suposta intenção de “amparar” os trabalhadores. E se grande parte disso fosse, de alguma forma, incorporada aos salários? E se, em vez de perder uma fração do pagamento, forçado a fazer uma poupança ruim como o FGTS, por exemplo, cada um pudesse decidir de que forma investir seu próprio dinheiro? Não, o Estado não permite. Ele acha mesmo que precisa atuar como tutor de uma massa de trabalhadores desprovidos de discernimento e conhecimento.

A Gazeta do Povo já apresentou alguns números assustadores sobre a mudança na jornada e escala de trabalho… No varejo, há previsão de retração de 12,2% na riqueza gerada pelo setor. A manutenção dos salários, com uma jornada menor, vai gerar um aumento de custo em torno de 22%. Em vez de aumentar a oferta de emprego, há um cálculo de que haverá, de cara, um corte de 640 mil postos com carteira assinada… Os empregados mais antigos e caros devem ser substituídos pelos mais jovens e dispostos a ganhar menos. No turismo, que tem demanda concentrada em fins de semana e feriados, os custos operacionais também aumentarão muito. Haverá pressão inflacionária sobre diárias de hotéis, pacotes turísticos, passagens aéreas, restaurantes… E o Brasil, que recebe bem menos turistas do que poderia e deveria, continuará perdendo para outros destinos internacionais. No setor de transporte de carga, a folha de pagamento ficará 18% mais cara, mas ninguém atrás de voto quer olhar para o mundo real.

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Não sou especialista no assunto, mas tenho o mínimo de informação para saber que mais desastre está por vir. Se Paulo Guedes tentou dar ao Brasil a liberdade econômica de que o país tanto precisa, caímos outra vez na historinha de que estão garantindo “qualidade de vida” aos trabalhadores, quando, na verdade, o que se celebra de novo é o atraso. Os votos que virão com medida tão populista e devastadora serão mais um empurrão para a desgraça total, a perpetuação de um modelo que não se sustenta. É nítido que a quantidade de gente que acredita num Estado protetor, tutor, educador não nos permitirá tão cedo a redenção. Cabe a cada um de nós, mesmo que com pouco alcance, nas nossas esferas particulares, alertar incansavelmente que o Estado não é a solução dos problemas do país, muito pelo contrário. É, sim, o Leviatã que provoca o surgimento da maior parte deles.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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