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Quando dizer “não” à IA na escola e em casa: veja o alerta do papa

O papa Leão XIV dedica uma parte substancial de sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas, ao impacto da revolução digital na educação e na vida familiar.

O pontífice reconhece que “as rápidas transformações tecnológicas revelam o quanto estamos despreparados no nível educacional”. Ele adverte que “a penetração generalizada das mídias digitais promove uma cultura de imediatismo e hiperestimulação, que gera fadiga, tédio e apatia em relação ao esforço necessário para buscar a verdade”.

Em resposta, ele enfatiza que a educação “é uma longa jornada que requer paciência e, portanto, precisa de tempo para desenvolvimento e para o engajamento com a realidade além das aparências”, algo que considera “fundamental”, porque — como ele lembra — toda tecnologia “molda aqueles que a utilizam”.

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O que traz a encíclica sobre IA

Na encíclica, Leão XIV não oferece respostas prontas ou uma lista fácil de dicas. Em vez disso, ele faz um amplo apelo para repensar o que significa educar as pessoas no uso da inteligência artificial e suas implicações.

Em última análise, como ele mesmo afirma, trata-se de educar as pessoas “para decidir quando e com que propósito ela não deve ser usada”.

“A velocidade e a facilidade com que respostas ou resumos podem ser obtidos correm o risco de extinguir o desejo de fazer perguntas, que é um processo que dá frutos apenas ao longo do tempo”, escreve o papa. Para ilustrar esse ponto, ele recorre à Sétima Carta do filósofo grego Platão, de 353 a.C., uma pedra angular do pensamento ocidental.

“Devemos aprender, então, como exercer moderação no uso da inteligência artificial e proteger nossos jovens da promessa da máquina perfeita, dessa tentação sutil que torna o pensamento humano aparentemente supérfluo precisamente quando ele é mais necessário”, ele sugere, lembrando que, como disse Platão, as realidades mais profundas e importantes são aprendidas apenas com muito tempo e esforço.

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Alerta sobre exposição a telas e mídias sociais

O papa também alerta sobre o impacto negativo no sono, na atenção e na regulação emocional causado pela “exposição precoce e sem supervisão a dispositivos digitais e mídias sociais”.

Isso é agravado, ele continua, “pelo fácil acesso a conteúdo violento ou degradante que ofende a sensibilidade, a material pornográfico e hipersexualizado, a mensagens que banalizam o corpo e as emoções, e a propostas que normalizam comportamentos de risco”.

“Ter um dispositivo móvel pessoal em idade muito precoce e usá-lo sem supervisão de adultos pode exacerbar as vulnerabilidades dos jovens, promover o vício e expô-los ao isolamento, bullying e cyberbullying, bem como a pressões para compartilhar imagens íntimas ou informações sensíveis”, ele adverte.

A esse respeito, o pontífice reconhece que é difícil para os pais resistirem sozinhos à “influência de modelos de negócios que monetizam atenção e tempo”. Daí seu apelo por “uma aliança entre formuladores de políticas públicas, instituições educacionais e famílias que seja capaz de apoiar concretamente os adultos nessa tarefa”.

“Políticas públicas com visão de longo prazo são necessárias”, ele insiste, “para se opor aos interesses imediatos das plataformas, concentradas em poucas mãos, quando elas conflitam com o bem-estar dos menores”.

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Elogio a iniciativas de outros países

Nessa linha, sem apontar para nenhum governo específico, ele fala positivamente de iniciativas legislativas promovidas em países como Austrália, França e Espanha, e incentiva a promoção de “estabelecimento de limites de idade, responsabilização dos provedores de serviços em vez de transferir todo o fardo do controle para as famílias, e fornecimento de proteções específicas contra todas as formas de exploração sexual e violência online. Assim, crianças e adolescentes, que são confiados aos nossos cuidados, podem ser genuinamente protegidos como um tesouro precioso”.

Leão também identifica vários desafios urgentes dentro da educação diante do surgimento da inteligência artificial. “Muitos sistemas educacionais lutam para acompanhar as mudanças e apoiar o desenvolvimento integral dos estudantes”, ele observa.

O desenvolvimento de tecnologias da informação e inteligência artificial está fazendo com que currículos projetados para outra era se tornem obsoletos, enquanto a organização escolar, os espaços, os métodos de avaliação e o próprio papel do professor devem ser repensados “a fim de promover uma educação autenticamente integral que aborde todas as dimensões da pessoa”.

“É necessário apoiar a formação contínua dos professores ao longo de suas vidas profissionais, para que possam se engajar positivamente com as novas tecnologias, ajudando os estudantes a usá-las de forma responsável, crítica e criativa, em vez de sucumbir passivamente à sua influência”, ele diz.

O Santo Padre também identifica um desafio de natureza intelectual e sapiencial. “Sem atenção cuidadosa, pode surgir um sistema educacional carente de amor pela verdade, no qual um fluxo incessante de informações substitui o exercício essencial da pesquisa, reflexão e discernimento”, ele lamenta.

Alerta para um conhecimento fragmentado

Nesse contexto, ele alerta para a proliferação de um conhecimento fragmentado, enquanto “torna-se difícil compreender a realidade como um todo, fazer perguntas profundas sobre o significado ou desenvolver um pensamento autêntico, crítico e criativo”.

“Uma atitude genuinamente saudável é necessária, exigindo ritmos que incorporem silêncio, estudo aprofundado, leitura e análise criteriosa, pois sem esses elementos a liberdade interior pode ser comprometida”, ele propõe.

A doutrina social da Igreja, diz o papa, exige uma aliança educacional renovada entre famílias, escolas, comunidades cristãs e instituições públicas.

Isso se concretiza quando os princípios são traduzidos em objetivos educacionais: educar na sobriedade e no senso de limites; no reconhecimento do direito dos outros e das gerações futuras de desfrutar dos bens recebidos ou criados pelo engenho humano; na liberdade e responsabilidade; e no senso de transcendência e bem comum.

“As escolas não são chamadas a seguir o ritmo do mundo digital, mas a oferecer aquilo que a esfera digital por si só não pode fornecer, ou seja, um tempo compartilhado para aprender e desenvolver relacionamentos confiáveis”, ele conclui.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: When to say ‘no’ to AI in the classroom and at home: A key warning of Magnifica Humanitas https://www.ewtnnews.com/vatican/when-to-say-no-to-ai-in-the-classroom-and-at-home-a-key-warning-of-magnifica-humanitas

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