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Obrigado, leitor

Estamos no mesmo barco. E com o mesmo medo. Mas é preciso ter a mesma coragem. O mesmo brio. (Foto: Gemini)

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Acabei de escrever um texto choramingando por causa dos 22 leitores que cancelaram a assinatura da Gazeta do Povo e disseram que foi por minha causa. Ou melhor, foi “por causa daquele imbecil do Polzonoff”. Escrevi, pus um ponto final – e joguei o texto fora. Primeiro porque os 22 não vão me ler. Então não faz sentido. Depois porque, em vez de ficar de mimimi, de fazer da crônica um exercício de autopiedade e de expor minha vulnerabilidade emocional, essa sensação de abandono e rejeição, achei por bem agradecer aos que aqui continuam.

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Agradecer a você, leitor que, apesar das discordâncias, e talvez até por causa delas, insiste em acompanhar o que publico neste espaço. Você que ri ou, de si para si, fala “dããã” para algo que escrevi. Você que pensa, nem que seja por um segundinho. Que dá like, comenta, compartilha ou apenas retém no coração algo que escrevi. Obrigado por seu tempo, pela sua generosidade, por sua compreensão. Pela companhia mesmo. Porque o espírito destas minhas crônicas continua igual: estamos conversando. Navegamos juntos pelas águas revoltas da realidade. Reconhecemo-nos perdidos. Às vezes bate um medo. Mas no caminho. O caminho.

Brio

E agora vou dar um cavalo-de-pau no texto para dizer a você: obrigado por ter brio. É, brio. Gosto dessa palavra. Sobre o brio, aliás, tem um vídeo do professor Clóvis de Barros em que ele, aos palavrões, fala do brio, defende o brio, exalta o brio necessário para se entender um texto difícil. Para perseverar naquele troço que parece não fazer sentido, mas faz. Ou deve fazer, não é possível! Aqui, porém, uso o brio de um jeito um pouco diferente. O brio que você demonstra ao continuar aqui. Apesar de tudo. Apesar de mim.

Brio como sinal de coragem. É, coragem de se deparar com uma provocação e enfrentá-la com alegria, leveza e segurança. Brio como aquela coisa de se sentir desafiado a tolerar uma opinião discordante. Não concordar; apenas tolerar e reconhecer que, apesar de o cronista ser de fato um imbecil, ele ao menos é um imbecil bem-intencionado. Brio também como sinal de humildade. De saber que você pode estar errado, ué. (É raro, mas acontece). Por fim, brio como uma expressão de sua honestidade intelectual. Porque nossas opiniões só têm valor depois de confrontadas com opiniões opostas. Só aí é que a coisa fica divertida e ao mesmo tempo séria. Por isso, mais uma vez: obrigado, leitor. Obrigado por não me deixar sozinho nessa.

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