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Noruega e jornalismo brasileiro: uma aliança pela incoerência e contra o agro

A Noruega financia críticas ao agro no Brasil enquanto despreza dificuldades dos lapões no próprio país. (Foto: Imagem produzida por ChatGPT/Gazeta do Povo)

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Há um velho chavão ensinando que “comprai a imprensa, e sereis senhores da opinião, isto é, senhores do país”.

Talvez isso explique as matérias extremamente parciais que a Folha de S. Paulo tem feito nesta semana contra obras de infraestrutura no Brasil, mas que são patrocinadas pela Rainforest Foundation Norway.

Uma delas, extremamente agressiva, é contra a Ferrogrão, uma artéria de escoamento essencial para o agro brasileiro.

Em primeiro lugar, talvez isso explique o levantamento do Instituto Real Time Big Data, indicando que 52% dos brasileiros desconfiam da imprensa, com descrédito alto entre diferentes grupos de eleitores.

A própria Folha, há alguns anos, publicou que 75% dos brasileiros desconfiam das notícias publicadas na imprensa.

Ora, qual a razão de uma fundação de florestas tropicais da Noruega, onde não há florestas tropicais, ter interesse nas obras de infraestrutura do Brasil?

Segundo a Folha, preocupação com as minorias.

A profunda ironia disso tudo é que as minorias são extremamente marginalizadas na Noruega.

Explico.

Visitei diversas áreas dos lapões, oficialmente chamados de sâmis, na Noruega.

Sim, eles são o único povo indígena da região, e a sua cultura continua muito viva no país.

Estão concentrados principalmente nas regiões do extremo norte, como nas províncias de Finnmark, Troms e Nordland.

Eles têm a sua própria língua e são historicamente conhecidos pelo pastoreio de renas.

O detalhe é que eles não têm nenhum metro de “reservas indígenas” nos moldes das que possuímos no Brasil.

Pelo contrário, o governo norueguês autorizou gigantescos projetos de energia renovável em suas áreas de pastoreio de renas, num ato de profundo desrespeito às suas minorias.

Do mesmo modo, quando se leem as matérias dessas obras de infraestrutura, tem-se a impressão de que o Brasil não se preocupa com a questão ambiental.

Mas vamos verificar como anda a questão ambiental no berço da Rainforest Foundation Norway.

O Reino Unido acaba de aprovar a exploração do maior campo de petróleo inexplorado do Mar do Norte. O anúncio diz que o Campo de Rosebank será responsável, até 2030, por 8% do total de petróleo produzido pelo Reino Unido.

A ironia é que, recentemente, o Reino Unido anunciou a sua meta declarada de descarbonizar todos os setores nacionais da economia até 2050.

E a piada vem em forma dupla: outra coisa engraçada é que o campo será explorado pela Equinor, uma empresa petrolífera que pertence ao governo da Noruega.

Sim, a mesma Noruega fiadora do Fundo Amazônia e que financia essas matérias militantes na imprensa brasileira.

Uma análise de um relatório da OCI (Oil Change International) afirmou que a Noruega é o explorador “mais agressivo” da Europa de novos campos de petróleo e gás, concedendo 700 novas licenças de exploração na última década.

Além do mais, este relatório aponta que o petróleo e o gás em campos já licenciados, mas ainda não desenvolvidos, podem levar a emissões adicionais de 3 gigatoneladas de CO2, o que representa 60 vezes as emissões domésticas anuais da Noruega.

Além disso, o governo da Noruega está preparando planos para abrir uma área do oceano quase do tamanho da Alemanha para mineração em alto-mar, enquanto busca se tornar o primeiro país a extrair metais de baterias do fundo do mar.

A área de mineração também será perto de Svalbard, o arquipélago norueguês no Ártico.

Eles estão finalizando o projeto para apresentá-lo ao parlamento para votação.

Quando visitei Bergen, uma cidade portuária do Mar do Norte, os noruegueses afirmaram que “se alguém chegar lá primeiro (no fundo dos oceanos), devemos ser nós. Somos uma grande nação pesqueira, vivemos à beira-mar, o oceano é nosso maior recurso… Não estaríamos reinventando a roda”.

O primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre, que, por ironia, é o copresidente do Ocean Panel, uma rede de líderes mundiais comprometidos com a proteção dos oceanos, disse o seguinte:

“Começamos a compreender que não há atividades humanas que não obriguem a escolhas”, algo como pode ser necessário destruir um pouco da natureza para salvar o clima.

É pragmatismo na veia!

Mas fica a pergunta para a maior apoiadora dessas reportagens militantes em nossa imprensa:

Qual ambiente é mais sensível, o do Ártico ou o da Amazônia?

A indústria do petróleo representa aproximadamente 22% do PIB da Noruega, ou seja, dois terços de suas exportações dependem de combustível fóssil.

A Noruega ainda é um dos três únicos países do mundo a autorizar a caça comercial de baleias.

Em Bergen, você encontra, para comprar, carnes de vários animais: baleia, alce, rena e veados.

Ninguém pode acusar a Noruega de ser descuidada com a questão ambiental.

Ah, enquanto trabalham contra essas obras de valor estratégico para o agricultor brasileiro, os subsídios dados pelo governo asseguraram 59% da renda dos agricultores na Noruega.

Sim, quase 60% da renda de um agricultor norueguês vem do Tesouro norueguês, com subsídios vergonhosos que destroem a sustentabilidade do agro global por distorcer os preços dos produtos agrícolas.

Isso sem contar programas excepcionais, como no caso da Guerra da Ucrânia, em que os governos europeus promoveram um pacote de ajuda aos seus agricultores que incluía dinheiro na conta, redução de impostos, desconto no diesel e na conta de luz.

Por fim, fica a sugestão:

Por que a Folha não lança uma grande campanha para a criação de áreas nativas para os sâmis?

Quem sabe com o apoio da Sami Foundation Brazil.

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