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Conmebol suspende jogador da base do Palmeiras por protesto contra racismo

Conmebol suspendeu por quatro meses atacante brasileiro de 16 anos após gesto feito em protesto contra supostas ofensas racistas durante duelo contra a Argentina no Sul-Americano Sub-17; CBF e Palmeiras recorreram da decisão

© Reprodução/Instagram @edu_conceicao09


28/05/2026 10:00 ‧
há 1 hora
por Folhapress

Esporte


Palmeiras

(FOLHAPRESS) – Alvo frequente de críticas pela postura considerada branda no combate ao racismo no futebol sul-americano, a Conmebol decidiu punir um jogador brasileiro de 16 anos após uma comemoração em tom de protesto contra ofensas racistas que ele afirma ter sofrido em campo.

 

O caso aconteceu no último dia 10 de abril, durante a vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Argentina, pela quarta rodada do Sul-Americano Sub-17, disputado em Villeta, no Paraguai. O atacante Eduardo Conceição, da base do Palmeiras, acusou o meia argentino Benítez de racismo durante a partida.

Segundo o relato do jogador brasileiro, o árbitro paraguaio David Ojeda ignorou a denúncia e não acionou o protocolo antirracismo da Conmebol, que prevê paralisação e até encerramento do jogo em caso de reincidência.

Após marcar o terceiro gol da seleção brasileira, Eduardo Conceição comemorou imitando um macaco, em gesto que, segundo ele, foi uma resposta irônica às ofensas recebidas.

Nesta quarta-feira (27), o comitê disciplinar da Conmebol anunciou a suspensão de quatro meses tanto do brasileiro quanto do argentino, alegando prática de discriminação. A entidade também pediu à Fifa que a punição seja estendida para competições organizadas pela federação internacional.

A CBF, com apoio do Palmeiras, entrou com recurso contra a decisão. Para o advogado especializado em direito desportivo Higor Maffei Bellini, o contexto do episódio deveria ser levado em consideração.

“A reprodução do gesto ocorreu como forma de protesto contra uma ofensa racista sofrida anteriormente, e não com intenção de discriminar outra pessoa”, afirmou.

Caso a punição seja mantida, Eduardo Conceição pode ter a preparação comprometida para o Mundial Sub-17, marcado para novembro, no Qatar.

Após o episódio, o atacante explicou a motivação da comemoração. “Depois que sofri o ato, coloquei na cabeça que faria o gol e responderia na mesma moeda para mostrar que não me abalei”, declarou ao ge.

O caso reacende críticas à atuação da Conmebol no combate ao racismo. Em 2025, o atacante Luighi, também da base do Palmeiras, foi alvo de injúria racial por torcedores do Cerro Porteño durante a Libertadores Sub-20.

Na ocasião, o clube paraguaio recebeu punição considerada leve por dirigentes e torcedores brasileiros: jogos com portões fechados e multa de US$ 50 mil. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, chegou a cogitar a saída dos clubes brasileiros da Conmebol para filiação à Concacaf.

Semanas depois, o presidente da entidade sul-americana, Alejandro Domínguez, ampliou a crise ao afirmar que uma Libertadores sem clubes brasileiros seria “como Tarzan sem a Chita”, frase que gerou forte repercussão negativa. Depois, ele pediu desculpas públicas pela declaração.

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