Proposta de resolução que inclui tilápia, além de eucalipto, pinus, goiaba e jaca, na lista de espécies invasoras será analisada pela Conabio a partir desta quarta-feira (27) (Foto: Jonathan Campos/AEN)A Conabio analisa nesta semana uma proposta que inclui a tilápia e o eucalipto na lista oficial de espécies exóticas invasoras. O setor produtivo reagiu com preocupação, temendo prejuízos de milhões de dólares e barreiras comerciais internacionais que podem inviabilizar o agronegócio.
O que significa classificar uma espécie como exótica invasora?
Uma espécie exótica é aquela que não é natural do nosso ecossistema — como a tilápia, que veio da África. Ela é considerada invasora quando se espalha sem controle e ameaça as plantas ou animais nativos. O governo afirma que a lista serve apenas como guia técnico para políticas públicas, mas produtores temem que o rótulo cause uma imagem negativa do produto brasileiro no exterior.
Como a produção de peixes pode ser afetada financeiramente?
A Associação Brasileira da Piscicultura estima que as exportações de tilápia podem cair até 90%. Isso aconteceria porque mercados exigentes, como os Estados Unidos, poderiam criar barreiras ambientais e sanitárias. O prejuízo anual estimado para a cadeia da tilápia passa de US$ 38 milhões, podendo chegar a US$ 64 milhões se considerarmos o impacto na imagem de outros peixes brasileiros, como o tambaqui.
Quais outras espécies estão na mira dessa nova lista?
Além da tilápia, árvores como o eucalipto, o pinus e a acácia podem entrar na lista. Frutas muito comuns no nosso dia a dia, como manga, goiaba e jaca, também estão sendo avaliadas. No setor florestal, a preocupação é com a insegurança jurídica, que pode afastar investimentos em indústrias que dependem dessas madeiras para gerar empregos e renda.
Qual é a reação do Congresso Nacional diante dessa proposta?
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que obriga o governo a ouvir os ministérios da Agricultura e da Pesca antes de aplicar medidas ambientais desse tipo. A ideia é garantir que os impactos econômicos e sociais sejam pesados antes de qualquer decisão técnica. Parlamentares criticam o que chamam de decisões unilaterais que podem prejudicar atividades econômicas consolidadas há décadas.
O governo pretende proibir a criação de tilápia no país?
O Ministério do Meio Ambiente garante que não haverá banimento ou proibição de cultivo. O argumento oficial é que o Estado tem o dever legal de monitorar espécies que possam ameaçar a biodiversidade nativa. Segundo o governo, a tilápia é muito resistente e competitiva, o que altera a estrutura das comunidades de peixes nos rios, mas a intenção não é erradicar a espécie da produção comercial.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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