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PF mira ex-prefeito de Macapá por esquema de R$ 25 milhões em “milícia digital”

O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), foi um dos alvos da operação Palanque Digital, deflagrada nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de desvio de mais de R$ 25 milhões da prefeitura usado para financiar uma “milícia digital”. Segundo a autoridade, o esquema tinha como objetivo promover politicamente o ex-prefeito e sua esposa, além de atacar adversários nas redes sociais com conteúdos manipulados e campanhas coordenadas.

A operação cumpre mais de 35 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Canela (RS). Entre os investigados estão políticos, influenciadores, jornalistas, ex-secretários municipais, uma agência de publicidade e seus sócios.

“Com o objetivo de apurar a prática de crimes eleitorais por uma organização criminosa voltada à criação e à operação de uma rede digital de desinformação, de autopromoção política e de ataques a adversários no estado do Amapá”, afirmou a Polícia Federal em nota.

A Gazeta do Povo tenta contato com a assessoria de Dr. Furlan. O político ainda não se pronunciou sobre a operação.

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De acordo com a investigação, a rede atuava há cerca de quatro anos utilizando contratos de publicidade institucional da prefeitura de Macapá. A Polícia Federal afirma que os recursos públicos abasteciam ações de autopromoção política e ataques contra opositores, incluindo senadores e até um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que não teve o nome divulgado.

“As investigações apontam que os valores destinados à comunicação pública da Prefeitura de Macapá teriam sido desviados de sua finalidade original para custear influenciadores digitais, veículos e empresas de comunicação para a divulgação de ações de caráter político-eleitoral”, seguiu a autoridade.

Os investigadores também descobriram o uso de inteligência artificial para criar vídeos, imagens, áudios manipulados e deepfakes usados nas campanhas digitais. A apuração ainda identificou conteúdos de teor homofóbico disseminados nos ataques virtuais.

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Além dos contratos de publicidade, a Polícia Federal suspeita que integrantes da suposta milícia digital recebiam cargos em secretarias municipais como forma de pagamento pelos serviços prestados. Os investigadores agora tentam rastrear o destino completo dos recursos públicos e identificar todos os envolvidos no esquema.

Dr. Furlan governou Macapá entre 2021 e março de 2026 e já vinha sendo investigado pela Polícia Federal em outro caso envolvendo suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos públicos. Em setembro de 2025, a primeira fase da Operação Paroxismo apurou irregularidades em um contrato de R$ 69,3 milhões para obras do Hospital Geral Municipal.

Ele é adversário político do grupo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem no Amapá sua base política. O irmão do senador, Josiel Alcolumbre (União-AP), cogitou concorrer à prefeitura de Macapá em 2024, mas desistiu antes do início da campanha — ele perdeu para Dr. Furlan na eleição municipal anterior, de 2020.

Em março deste ano, na segunda fase da mesma investigação, endereços ligados a Dr. Furlan foram alvo de mandados da Polícia Federal e servidores foram afastados por decisão do STF. No dia seguinte à operação, Furlan renunciou ao cargo de prefeito e anunciou pré-candidatura ao governo do Amapá.

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