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Deolane diz que foi presa “por trabalhar” e já considerou facções como “pessoas”

A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, presa na quinta-feira (21) por suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou que foi detida “por trabalhar”. Ela é apontada pelas investigações por ter uma relação muito próxima com integrantes da facção e já disse, no passado, que defendeu criminosos como “pessoas”.

Deolane Bezerra foi presa durante a Operação Vérnix em sua mansão em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, em uma investigação do Ministério Público do Estado (MPSP) e da Polícia Civil. Ela teria atuado a serviço da facção por intermédio de uma empresa de fachada do ramo de transportes. Pelo menos R$ 327 milhões em bens foram bloqueados pela Justiça.

“Presa por trabalhar, por advogar”, afirmou à imprensa ao chegar na sede da Polícia Civil, no centro da capital paulista, e ser questionada se estava lavando dinheiro para o líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como “Marcola”.

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Esta foi a terceira prisão da influenciadora por suspeita de ligação com o crime organizado. Em 2024, foi detida em uma investigação sobre lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e ocultação de bens ligados a jogos ilegais. Foi solta pouco depois, mas presa novamente por descumprir medidas cautelares.

Apesar de atuar como influenciadora digital com mais de 20 milhões de seguidores, Deolane Bezerra mantém um escritório de advocacia com as irmãs na área criminal, onde defendeu acusados ligados ao crime organizado, o que a levou a ser apelidada de “advogada do PCC”. Ela, no entanto, negou esse rótulo e afirmou que defende “pessoas”.

“Advogo para pessoas e não para uma facção. Um advogado criminalista em São Paulo não tem como afirmar que nunca advogou para um membro do PCC, a não ser que você advogue para clientes baixos”, disse em uma entrevista ao UOL em 2022.

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Na ocasião, ela ainda ressaltou que prefere os clientes “grandes” que “pagam bem”, e que como advogada criminalista ela “defende a lei”.

“Não tem como ser hipócrita. Atendo uma pessoa que supostamente pertence a uma organização”, pontuou.

Deolane Bezerra está presa na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista, e será transferida para uma unidade prisional na cidade de Tupi Paulista, na região Oeste do estado de São Paulo, ainda nesta sexta-feira (22).

A investigação do MPSP e da Polícia Civil aponta que a influenciadora passou a ocupar uma posição de destaque no PCC em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidade patrimonial e indícios de conexão com a cúpula da facção.

“Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem e capitais gerido pela organização criminosa”, aponta um trecho do relatório da investigação.

Ela receberia dinheiro da organização em depósitos fracionados e movimentado em, pelo menos, 37 empresas de fachada – sendo 35 registradas em um único endereço.

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