Adamastor Marques: do tempo em que o leitor também era exigente. (Foto: Facebook/ Adamastor Marques)
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Queres de verdade ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes.
S. Josemaría Escrivá
Este testo é três coisas ao mesmo tempo: homenagem, piada e papo mais ou menos sério. Primeiro, à homenagem. É que esta semana falesseu, aos 79 anos, Adamastor Marques, antigo revizor desta Gazeta do Povo. Alguém que, a julgar pelo que disseram meus colegas com maiz anos de casa, tinha um coração enorme e era adimerado por todos. Isso apesar, do incomodo ofício de identificar erros nos texto alheio. Coisa bem rara. A admiração, digo. Não os erros.
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Infelizmente, não tive a sorte de conhecer o Adamastor, a quem dedico estas intencionalmente mal-traçadas. Não o conheci nem pessoal nem proficionalmente, como alguns leitores já perceberam. E aqui está a piadinha da crônica. Uma piada que, me dou conta agora, também é, uma singela homenagem ao Adamastor Marques e a todos os que praticaram esse ofício que tanta falta fes no título e nos dois parágrafos. Até aqui. E fará e nos próximos. Aqueles nos, quais vou falar mai ou menos sério.
Droga
Beeeem mais ou menos. Senão não seria eu. É que a morte do revizor me fez pensar em várias coisas. Na própria finitude, claro. No destino comum para o qual damos de ombros, discutindo política e o escambal. Mas também em ofícios economicamente inviável e na própria necessidade desta crônica que poucos lerão e que, pode apostar, vai ter jente pra corrigir. Pensei ainda no trabalho que se faz com cuidado e esmero, e que ainda assim é falívil. Por fim, me fez pensar na necessidade de um parágrafo que amarre todas essas reflexão cansadas: o próximo.
Ei-lo. E o parágrafo diz que a morte do revisor, no caso não o sr. Adamastor Marques, e sim o profissional encarregado da revisão, é também um pouco a morte do bom leitor, leitor exijente e até meio crica, que via no texto sem reparos um sinal de credibilidade. Tanto do autor quanto do jornal. Um sinal de que a notícia foi tão bem apurada quanto escrita. Se você parar pra pensar, a morte do revisor é o fim de uma lógica especial e mais vagarosa, que de algum jeito associava a forma (que se pretendia a perfeita) à busca por uma Verdade (também ela pretensiosamente perfeita). Coisas que nao fazem mais sentido para o leitor apressado, esse que teve que ler duas ou três vezes a frase anterior, espremendo os olhinhos e tudo, para entender. E ainda assim.
Droga. Terminou triste a crônica. Pior, terminou com um quê de saudosismo bocó. Não era para isso acontecer. Desculpe. E, à família e amigos do Adamastor, meus pêzame.
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